fabio nogueira

Temer não tem compromisso

fabio nogueiraNa quarta feira passada (24/05) estava em Itaguaí, na região metropolitana da cidade do Rio e Janeiro, na companhia do meu amigo e professor de história Robson Alves. Estamos trabalhando num projeto de pesquisa nesta cidade para saber a história da escravidão e das suas lutas de resistência. Neste intervalo de tempo, ficamos sem comunicação com as redes sociais (ufa!). Há certas horas em que é bom nos desintoxicarmos das redes sociais e olharmos face a face. Foram mais de oito horas que valeram muito a pena.

Antes de chegar em casa, passei numa Lan House da prefeitura para saber as novidades do mundo digital. Vou para o Facebook e como de costume vi aqueles mesmas mensagem do tipo Fora Temer. Até aí, tudo morreu em neves (sem duplo sentido).

Entrei noutro site e fui surpreendido com o escândalo do presidente golpista Temer. Mais surpreso ainda foi de onde saiu a denúncia, que foi justamente de quem apoiou o golpe contra a ex-presidente Dilma, as organizações Globo. Michel Temer estava provando o veneno da mídia golpista, a mesma que junto a outras vem mandando e desmando neste país.

Parece estranho que o grupo de comunicação até poucos dias era paz e alegria com o governo golpista, e sem mais nem menos virou a principal frente de luta para renúncia de Temer. Bem da verdade, fico desconfiado por que as organizações Globo está com este comportamento anti governo. É bom ficarmos de olho.

Temer não tem compromisso com as ruas nem com as urnas, não tem compromisso com a impopularidade. Michel Temer está a serviço do capital financeiro e neoliberal.

Desde quando começaram as manifestações contra o governo Dilma Rousseff, em 2015, tenho afirmado que o cenário político da atualidade é idêntico ao golpe civil militar de 1964 que derrubou o governo progressista de João Goulart. Acrescentei que impopularidade, crise econômica e outros, nunca foram motivos para depor presidentes da república.

Quem bateu panela, alimentou ódio e pôs todo histórico de corrupção num só governo, estava ciente da responsabilidade daquilo que o governo golpista iria fazer ao chegar ao poder.

Diante do desmantelamento dos direitos e conquistas sociais assegurados na constituição federal, as panelas, os patriotas, os defensores da família e de Deus estão mudos e sem moral para saírem as ruas para apoiar o pacote da maldade .

O histórico de desmando neste país começa com o golpe aplicado pelos republicanos, que inaugurou este período nefasto. Estamos pagando alto e desprezando a democracia.

Numa democracia sólida e autêntica, a população de maneira nenhuma aceitaria esta situação. A qualquer custo defenderia a manutenção do regime, goste ou não do presidente eleito. Simplesmente ratificamos nossa ignorância política e seremos cobrados.

No atual quadro político, estamos órfãos de Políticos sérios compromissados com a sociedade. Basta pesquisar as origens dos deputados, senadores e demais, a grande maioria apoiada por grupos corporativos, grandes empresários e o capital internacional. Exceções são aqueles parlamentares cujas origens são de bases populares. Hoje, existem os políticos caricatos, sejam eles de esquerda, direita ou centro (se há ideologia ainda) e a tendência é cada dia piorar a situação. O perigo neste vácuo político são os oportunistas de plantão, vindo com outros moldes de discurso ou de aproximação ao povo. Virão com dizeres da moda: ”não sou político”, sou gestor. Há também um novo perfil de político que agrega as ideias tanto da direita como da esquerda.

Perigosos também são aqueles com discurso inflamáveis nacionalistas eloquentes e de excitação ao ódio.
Trago comigo muitas inquietações. Em breve estarei me formando em história, e daqui a vinte anos ficará complicado responder aos alunos nascidos hoje o que se passou no Brasil de vinte anos há atrás.

De volta à República. Lembremo-nos que o atual modelo vigente completará cento e vinte e oito anos. Até então presenciamos dois períodos de redemocratização (1945-1964) (1985-2016), que somados sequer chegam a meio século de existência. Ao mesmo tempo, no regime houve somente cinco presidentes que terminaram os seus mandatos presidenciais, os demais não cumpriram devido aos golpes .

Fica uma pergunta no ar: Tem algo de errado?!

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