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O Judiciário e a Blitz

blitz2São seis horas da tarde de domingo. O trânsito lento promove impaciência aos motoristas. No afã de superar o congestionamento, os mais apressados utilizam-se da buzina ou de uma ineficiente troca de faixas. Mais a frente, a blitz.

Como de praxe, os carros luxuosos acendem as luzes internas e passam. Os modelos mais antigos, também as acendem, mas são obrigados a parar. Motociclistas e entregadores completam o quadro de suspeitos.

O autoritarismo da PM, que não abandona o repertório de bravatas da ditadura militar, é completo do início ao fim da abordagem. As consequências todos nós já sabemos: uns ficam pelo caminho, contemplados com um novo boleto de multa, outros solucionam seus problemas sabe-se lá como.

Enquanto uns se incomodam com o excesso de armas, outros, quando não são incomodados, batem palma para o trabalho da autoridade, principalmente quando ela avança sobre aqueles com os trejeitos populares.

O que a gente sabe é que a blitz dificilmente irá pegar um grande bandido, ou melhor, os verdadeiros bandidos. Vai tapando o sol com a peneira, fingindo estar combatendo o problema de segurança pública, que está bem longe de ser com ações truculentas, quiçá da esfera policial.

Proporcionar uma sensação de segurança, especialmente aos moradores de regiões mais abastadas, é o verdadeiro objetivo.

Não quero com essa crônica desqualificar todo policial e seu trabalho. Mas é notório que o trabalho da PM é um mísero ato de enxugar gelo, impondo uma política de enfrentamento da violência a qual eles também são as maiores vítimas. Lamentavelmente, o Brasil é um dos países onde a polícia é a que mais mate e a que mais morre. Como bem disse o coronel Íbis, da Polícia Militar, os polícias são vitimizadores e vítimas desse modelo.

O que eu quero dizer com esse exemplo é que o Brasil funciona como uma grande blitz: persegue e pune os mais fracos, alivia os abastados e negocia ou finge não ver os verdadeiros bandidos.

Essa semana, tivemos a prova real de como as coisas funcionam por aqui. Ou melhor, tivemos mais uma oportunidade clara, principalmente para aqueles que fingem não ver ou entender, de saber quem são os personagens que não permitem o país avançar.

Aécio Neves, o grande símbolo de moralização do país até a queda de Dilma Rousseff, depois de ser delatado inúmeras vezes e pego em grampos telefônicos, está de volta ao Senado, com processo de cassação arquivado. No discurso de retorno, sem ter o que dizer, com a voz lânguida citou o programa Bolsa Família, passando-se por um estadista injustiçado.

Michel Temer, depois de áudios e outras provas cabais, ainda continua a governar, mesmo que atrás da moita do Palácio do Jaburu. Mesmo diante de toda catástrofe que é o seu governo, existem economistas e meios de comunicação fazendo singelos afagos em suas tentativas de impor medidas antipopulares e perversas.

Em suma, o problema da violência não se resolverá com blitz, e o problema da política no Brasil não se resolverá com esse ignóbil judiciário. Ambos estão tomados por seletividade, ações desproporcionais e não têm o mínimo constrangimento em manter regalias e privilégios aos seus. Somos o país onde os acordos entre gente graúda ainda valem mais que tudo.

Abaixo segue o vídeo de Maurício Ricardo, interpretando o discurso de Aécio Neves, na volta ao Senado.

https://charges.uol.com.br/2017/07/03/de-volta-ao-bonde/

Foto(*): diariodoscampos.com.br

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