fabio nogueira

Getúlio Vargas, Jango, Brizola e mais golpes

fabio nogueiraAo chegar a casa, depois de mais um dia a procurar emprego e revigorar-me nas aulas de meus professores de história, meu sobrinho deu-me a triste notícia da aprovação pela Câmara dos Deputados em Brasília (DF) do projeto que autoriza as terceirizações de todos os setores de trabalho. Falta pouco para desconstruir de vez a CLT, direitos conferidos pela luta do trabalhador desde do início do século XX e atendidas pelo então presidente Getúlio Vargas há mais de 70 anos.

Quando assisti a reportagem de uma emissora de TV, um jornalista “papagaio” vangloriava-se de alegria afirmando que foi a decisão mais justa e encontrada para a criação de novos empregos. Na mente desse jornalista, a informação era de menos importância.

A palavra flexibilização é a bola da vez. Segundo os especialistas da área neoliberal, flexibilização é o que há de mais ”moderno” no meio trabalhista. A presença do Estado não será mais necessária, pois ele é pesado na visão dos neoliberais. O trabalhador braçal, que vive trabalhando a duras penas e sob condições precárias, é o que sofrerá mais com está tal “flexibilização”.

Desde quando o patrão inescrupuloso sairá em defesa dos interesses dos trabalhadores? É justamente neste momento que o Ministério do Trabalho deve estar presente para coibir abusos, conforme veremos a partir dessas novas medidas.

No meu imaginário perverso, visualizei a “volta” de Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Ao depararem com tanta podridão e deslealdade à memória dos anos de luta e seus legados, os três progressistas lançariam todas as pragas e as maldades neles contidas contra a corja de mercenários que há neste Congresso. Acontece que seria impossível, embora não seja má ideia petrificar esses retrógrados para sempre na história da política.

Há pouco tempo no poder, o presidente Michel Temer e sua equipe está destruindo projetos sociais que vinham sendo consolidados ao longo dos últimos anos. Dá a sensação que estamos voltando aos moldes da primeira República brasileira, o que significa opressão (sempre foi assim) e atraso.

A professora Marilena Chauí, filósofa da USP, sempre é enfática ao dizer que o grande capital assumira o poder que é concebido ao Estado. A vida do brasileiro será pautada segundo a vontade do capital especulativo, disse ela num evento sobre a crise nas universidades no início desta semana na UERJ. O único dever do Estado será a segurança (quem estuda história sabe o que é positivismo e sua influência nesse tema).

Quem um dia bateu panela pedindo moralidade na política e apoio ao golpe de película, deve estar com a consciência pesada nesse momento. Quem aderiu ao golpe e ao desmonte, tem parcela de culpa desse processo de desconstrução do bem estar social brasileiro.

Veremos quais serão os próximos capítulos desse governo golpista!

Fabio Nogueira é estudante de história da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro.

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