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Quando um “matar” é secundário

aécioDesde as notícias de quarta-feira dedico-me a ler, ininterruptamente, as informações sobre as últimas bombas políticas.

Atento-me ao noticiário da Globo e todo o seu conglomerado. A gente sabe que ali não se dá ponto sem nó.
As provas materiais estão aí, jogadas a público. Não existem condições de se manter Michel Temer na presidência.

Quanto a isso, até o mais reacionário concorda, mesmo que apelando para o ignóbil discurso de que quem voltou em Dilma votou em Temer.

Pulamos essa parte e vamos ao ponto principal desta crônica: o “matar” de Aécio Neves.

O áudio de Aécio vai muito além de propinas, caixa dois. Aécio fala em matar, com uma naturalidade de quem marca um café com um amigo. Podem surgir inúmeras interpretações sobre o “matar” de Aécio. Mas ainda sim é um “matar” que não pode ser secundário nos meios de comunicação.

Antes de tudo, vale ressaltar que, pouco tempo atrás, morreu um candidato à presidência, com plenas chances de vitória e um Ministro do STF, um dia antes de homologar o acordo de delações da Lava Jato. Outra morte que não sofreu nenhum alarde midiático foi a do policial civil Luciano Gomes Arcanjo, que vinha fazendo denúncias contra Aécio Neves e alguns caciques tucanos de Minas Gerais.

Todos esses fatos tiveram uma cobertura breve, o que naturalmente ajuda a esmorecer as investigações e o estarrecimento público.

A massificação de determinados acontecimentos, ocorre de acordo com os interesses desses setores. As suposições ou um fato são abordados, incessantemente, até que a população seja tomada por indignação e assuma partido da causa.

Natural que a mídia mantenha o foco principal em Michel Temer, mas é inadmissível que, mais uma vez, fatos dessa natureza sejam secundários nos noticiários e fiquem de lado nas expressões políticas da sociedade.

Vale destacar que Aécio teve 51 milhões de votos nas últimas eleições presidências, é Senador da República e foi um dos protagonistas do caos que o Brasil foi lançado.

Falo tudo isso não com intuito de confirmar o golpe de Estado, nem como tentativa de criminalizar políticos ou partidos. Tudo isso se sobrepõe a ideologias e crenças.

Esses fatos devem, simplesmente, fazer refletir, todos aqueles que estão tomados de ódio em seus discursos e ações.
A coisa é muito mais grave e baixa do que se parece.

Se a sociedade continuar se guiando por noticiários da grande mídia, fatalmente esqueceremos o principal e manteremos a perseguição aos inimigos desses grandes meios de comunicação e seus aliados.

Se não exigirmos nas ruas eleição direta, fatalmente seremos conduzidos a um buraco ainda maior, comandando por um autoritarismo perverso, travestido pela mídia como única solução.

Só a política democrática pode nos salvar. Diretas, já!

Foto(*): juntospelobrasil.com

Paulo Branco é professor de Artes Marciais e cronista.

2 comentários em “Quando um “matar” é secundário

  1. Uns dos principais articuladores do golpe. O menino mimado não se conformou em perder pelas vias democráticas e optou pelo golpe.

  2. Amigo, Paulo, por favor, entra em contato comigo. Vamos conversar. Tudo já passou. Sinto a tua falta. Um chopp, um almoço. Perdoa o teu amigo, vai.

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