miguel baldez

Trump e a luta de classes

miguel baldezDonald Trump acabou eleito e está aí um republicano fascista presidente dos Estados Unidos, cumprindo, ou procurando cumpri-las, todas as propostas de sua campanha, com reflexos internacionais, além dos efeitos econômicos e sociais domésticos. Aqui o ponto que precisa ser abordado, os efeitos internos.

Os Estados Unidos sempre souberam exportar suas contradições para os países em face deles ditos periféricos.

Enfim, depois de Trump, as manifestações de rua. São muitas e cada hora mais intensas, as mulheres, os artistas, principalmente os do cinema, interferindo – que bom! – positivamente na sociedade com suas críticas ao vaidoso e transloucado presidente.

Mas não é apenas a novidade da mobilização popular, valendo ressalvar-se que não foi a vontade da maioria do povo que elegeu Donald Trump, mas sim o sistema eleitoral americano elaborado supostamente para garantir com maior eficiência o poder da burguesia. O que lhes sobra, a Trump e seus seguidores, é o poder judiciário, e os recursos processuais vêm sendo utilizados aparentemente sem sucesso.

Na verdade, o fato histórico universalmente mais importante nesta altura do século XXI é a mobilização dos trabalhadores americanos numa luta que vai se tornando no tempo mais densa e abrangente, ainda contida e vacilante, é verdade, mas tendente (quem sabe?) a consolidar-se até que entendam eles, os trabalhadores e o povo em geral, a dialética das próprias contradições.

Comparam Trump a Hitler, mas as situações históricas são diferentes. Enquanto Hitler fechou as portas da Alemanha à democracia, Trump com sua postura fascista acabou inversa mas dialeticamente criando condições para a eclosão da luta de classes nos Estados Unidos, de um lado a tradicional e até agora fechada classe dominante e, enfim, em confronto com ela, uma até hoje submissa classe popular.

Até quando e até onde se dará concretamente este enfrentamento de classes na politicamente árida nação americana?

Miguel Baldez é Procurador aposentado do Rio de Janeiro, assessor de movimentos populares e Professor da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ)

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