fabio nogueira

UPPs: A esperança desapareceu

fabio nogueiraAs Unidades de Polícia Pacificadora ( UPPs) nos encheram de esperança por muitos anos. Era um modelo de pacificação vitrine dos olhos dos últimos dois governadores do Estado do Rio de Janeiro. O sonho acabou antes de completar uma década de existência. Acredito que há somente duas unidades que deram certo, ou não se ouve falar delas na mídia.

Entre as várias entrevistas concedidas à imprensa, o ex-secretário de segurança José Mariano Beltrame foi categórico ao afirmar a importância do Estado em garantir o bem estar social dos moradores das então favelas pacificadas. Não bastaria garantir a segurança dos moradores, se não houvesse contrapartida. E mais uma vez o Estado fez o papel que sempre lhe é cabível: Perversidade.

Foi dada a dica, foram dados os caminhos das pedras e, por fim, os primeiros sinais do descaso foram aparecendo. A começar pelo caso Amarildo, símbolo do fracasso das UPPs.

Noutro lado da história, o ex-secretário Beltrame é um árduo defensor da desmilitarização da policia militar. Confesso aos leitores que ainda estava em cima do muro acerca dessa ideia, a minha imaturidade neste assunto não deixava desenvolver uma concepção de forma ampla.

Em umas das minhas aulas de história do Brasil na Universidade, o professor Renato Coutinho tratou o mesmo tema a partir da leitura do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil). Depois fiz uma ligação da aula com a entrevista que o secretário Beltrame concedeu (veja aqui) ao ator e apresentador Lázaro Ramos, no programa Espelho, do Canal Brasil. Beltrame resumiu a sua idéia dizendo que “onde há cidadania, a policia é desarmada”.

Experiências em outros países comprovam esta verdade do Secretário de segurança.
Passando a história a limpo, sempre bom lembrar que a criação da instituição Polícia Militar no tempo do Brasil Império tinha a incumbência de proteger os ricos e poderosos e ir de contra aos escravos caso houvesse rebelião.

Cheguei à conclusão que a desmilitarização é umas das saídas . Os locais de confrontos e as vítimas inocentes que morrem nesses confrontos seriam poupadas.

A UPP fracassou. Em nome da politicagem, o projetou foi exaurindo-se e agora falido o Estado não sabe para onde caminhar.

A desmilitarização da polícia poderia dar certo quando o Estado desse 100% de cobertura social aos cidadãos, e em especial aos moradores da periferia e favelas onde a criminalidade iria despencar e a violência urbana alcançaria patamares baixos.

Os mais críticos pensam que estou delirando ou algo parecido. Será um projeto a médio-longo prazo. Os envolvidos não seriam amadores ou políticos inescrupulosos. É um projeto para poupar vidas. O caminho é longo. O debate precisa ganhar corpo e mais argumentos dos lados envolvidos. E, por fim, acabar com a carnificina que desgraça milhares de favelados e periféricos.

Fabio Nogueira é estudante de história da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro.

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