A incitação à violência é um dos eixos da política promovida pela oposição (Foto: Internet)

Venezuela em seu labirinto

A incitação à violência é um dos eixos da política promovida pela oposição (Foto: Internet)

A incitação à violência é um dos eixos da política promovida pela oposição (Foto: Internet)

A oposição tem como única proposta a saída do presidente Nicolás Maduro. Para isso leva adiante um plano promovido, evidentemente, pelo governo dos Estados Unidos, com três eixos: guerra econômica, incitação à violência extrema e isolamento internacional do governo.

Por Oscar Laborde (*) – no jornal argentino Página/12, edição de 15/05/2017 – Tradução: Jadson Oliveira

A Venezuela se encontra num labirinto. A situação é de um empate paralisante entre duas partes, que abrangem quase toda a população em sua polarização. Por um lado, o governo é herdeiro e continuador dum processo que começou com Hugo Chávez, processo que conseguiu as conquistas mais extraordinárias na história do país e a obtenção de direitos e melhorias inéditos nas condições de vida do povo. Esse processo teve seu momento mais difícil com a morte de Chávez, e a necessidade e dificuldade de substituir sua liderança.

Depois de ganhar as eleições e governar por quatro anos e meio o governo tem que afrontar o problema, nunca resolvido, de não haver superado a dependência da renda petroleira, quase como única fonte de recursos, e gerar uma nova matriz, onde se complementasse essa renda com o desenvolvimento produtivo, tanto na área agropecuária, como na industrial. É difícil de entender, por exemplo, como um país fértil como a Venezuela importa grande parte de seus alimentos, situação agravada com a queda estrepitosa do preço do petróleo.

Do outro lado dessa polarização, uma oposição conduzida por lideranças que não têm nenhuma vontade de colaborar para superar as dificuldades e que, neste momento, só propõe a derrubada de Maduro. Para isso leva adiante um plano promovido, evidentemente, pelo governo dos Estados Unidos, com três eixos. Guerra econômica, incitação à violência extrema e isolamento internacional do governo.

Na guerra econômica a arma principal é o desabastecimento dos produtos essenciais, que ao faltar na vida cotidiana, irrita as parcelas mais humildes. Farinha de milho, sabão, pasta dental, azeite. No entanto, estes produtos estão no mercado negro com preços exorbitantes. Então, há ou não há produtos? A resposta é sim, do contrário não estariam em mercado algum, nem no legal nem no clandestino. E não se trata apenas de especulação econômica, é claramente utilizado como uma arma política.

O chamado à violência extrema por parte da condução da oposição é um desrespeito. Das 39 vítimas que houve nestes dias, somente três são atribuídas às forças de segurança, e seus responsáveis foram detidos e estão sendo julgados. As outras mortes foram provocadas pelo chamado irresponsável às manifestações violentas, muito menos massivas do que há uns anos atrás. A lamentável novidade é o chamado irresponsável a atacar as embaixadas da Venezuela em outros países como aconteceu recentemente em Madrid.

O plano da oposição se complementa com a intenção de isolar a Venezuela internacionalmente, afastando-a inconvenientemente e sem cumprir com os protocolos do Mercosul. É punida na OEA com um golpe institucional, o que ocasiona a digna resposta do governo venezuelano de retirar-se do organismo.

Quando a situação econômica se estabiliza e começa a melhorar, com a venda a preços populares de produtos básicos e a subida no preço do petróleo, a oposição lança no início de abril, uma ofensiva selvagem para destituir o presidente Maduro.

Para tentar sair deste labirinto se produz o chamado a uma Assembleia Constituinte muitas vezes reclamada pela oposição, porém rechaçada agora, porque seu objetivo não é a normalização do país e a superação da crise, e sim derrubar Maduro. Além disso, o governo convocará eleições para governadores e prefeitos, o que era exigido pela oposição e que agora também rejeita. Que saia Maduro e venham eleições antecipadas para presidente é a única coisa que aceitam para dialogar.

A reforma constitucional mobilizará o povo, em seu debate, afirmará os logros conquistados, proporá uma mudança na matriz produtiva, garantirá novos direitos, impulsionará uma democracia participativa, e será a única saída possível para que este empate paralisante em que se vive, não se transforme numa tragédia.

(*) Deputado do Parlasul (Parlamento do Mercosul).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>