Há uma palavrinha maldita pelas corporações de mídia e por isso mesmo abolida de seu repertório: imperialismo. O sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos, colunista de Caros Amigos, sempre chama a atenção para este “pequeno” detalhe. A estratégia é tão simples quanto eficiente. Ao se apagar a palavra da memória coletiva inibem-se as possibilidades de compreensão de seu significado histórico – bem como seus impactos na atualidade. Claro está que o imperialismo hoje assume faces diversas, mas sua essência permanece inalterada: a busca pelo controle das riquezas naturais onde quer que estejam. Os Estados Unidos são a potência imperialista hegemônica e para manter seu domínio investem em armamentos o mesmo valor investido por todas as outras nações juntas – são 750 bases e missões militares em nada menos que 128 países. Mas não só. Essa potente máquina de guerra é sustentada pelo controle do sistema financeiro e da produção imagética. É o que Vasconcellos chama de “capital videofinanceiro”. Como registra o cientista social Atílio Boron, em artigo publicado no livro A teoria marxista hoje: “O outro novo instrumento de dominação imperialista é o quase absoluto predomínio que os Estados Unidos adquiriram no crucial terreno da circulação das idéias e da produção de imagens audiovisuais. O imperialismo hoje se reforça com um imperialismo cultural, que através do enorme desenvolvimento dos meios de comunicação de massas torna possível a imposição das idéias e dos valores da sociedade norte-americana de forma tal que nenhuma das experiências imperiais anteriores pôde sequer sonhar. Cerca de três quartos das imagens audiovisuais que circulam pelo planeta são produzidas nos Estados Unidos, projetando deste modo uma imagem propagandística, e falta até a medula, do sistema e de suas supostamente ilimitadas capacidades para satisfazer todas as aspirações materiais e espirituais da humanidade. As conseqüências políticas desta realidade são profundas e de longa vida”. Seria o caso de perguntar aos militares onde nossa soberania começa a ser ameaçada: na Amazônia ou no Jardim Botânico?
Resposta ao leitor
29.04.2008 | 01h33 |
As criaturas lendárias (que se utilizam de uma frase do súdito do Rei Juan Carlos) esquecem que seus registros eletrônicos podem ser facilmente rastreados, sendo que para isso basta uma olhadela no número de protocolo. Vai uma dica, já que não têm peito para assumir as palavras que proferem: procurem se revezar na utilização das máquinas, talvez um cyber por dia, como fazem os troteiros covardes em orelhões pelo centro da cidade. Mas, sejamos compreensivos, pois não duvido que os escribas apócrifos sejam desses ressentidos que vagam por aí a patrulhar aqueles que de alguma forma os incomodam. Seja como for, o debate de idéias é bem-vindo, mas só pode ser levado a sério na medida em que seus autores se identificam. Exatamente por isso respondo apenas ao Luiz Guilherme, de quem discordo frontalmente embora aplauda sua iniciativa de buscar o debate. É claro que um crime dessa natureza impressiona, e foi exatamente o que anotei há seis dias. Entretanto, é forçoso ressaltar que há um exagero na cobertura. E mais: grassa nas matérias daquilo que se convencionou chamar "caso Isabella" uma grande hipocrisia, onde fica evidente que o tratamento novelesco está muito mais interessado no lucro - e abandona completamente qualquer sentimento verdadeiro de dor pela morte da menina. O que é compreensível para empresas que sempre colocaram o lucro acima da vida. Se não fosse assim, deveríamos ter uma cobertura centrada no seguinte dado: a cada 10 horas morre uma criança vítima de violência no Brasil. São 70 Isabellas por mês, na esmagadora maioria das vezes vítimas de parentes próximos - e pobres (por isso, Guilherme, essa mídia não cria uma comoção em torno do assunto: a dor do pobre não sai no jornal). Aproveito o ensejo para recomendar o vídeo acima, que tem tudo a ver com essa história - e com muitas outras que temos debatido aqui no Fazendo Media. É a partir do quinto minuto que Eduardo Galeano entra na questão dos meios de comunicação de massa. Uma aula.
Sobre critérios e critérios
27.04.2008 | 21h54 |
Risco de extinção da arara-azul, nascimento de dois leões num país distante, Mike Tyson acima do peso, recorde de explosão de garrafas de refrigerante, macaca submetida a tratamento dentário, padre voador e, hours concurs, "caso Isabella". Tudo isso foi divulgado na semana que passou com mais destaque que a presença de um porta-aviões dos EUA na Baía de Guanabara. Com um detelhe: repleto de ogivas nucleares. O USS George Washington chegou ao Rio de Janeiro na segunda-feira passada e só mereceu notinhas de rodapé 4 dias depois, mesmo assim porque o secretário de Ambiente Carlos Minc (PT) solicitou a autoridades federais a retirada imediata da embarcação das águas territoriais brasileiras devido à flagrante violação da Constituição, que proíbe o uso de tecnologia nuclear com fins militares dentro de nossas fronteiras. Segundo Minc, o porta-aviões, da classe Nimitz, transporta de seis a dez bombas nucleares e de dez a 20 torpedos nucleares, inclusive Tomahawks, além de bombas nucleares de profundidade e mísseis nucleares em seus oitenta aviões de combate.
De acordo com Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, o navio pode ser uma forma de ameaçar o Brasil após as recentes descobertas de petróleo. Em entrevista ao jornal A Nova Democracia, Siqueira não descartou a possibilidade de uma intervenção militar no Brasil: "Os EUA consomem 8 bilhões de barris de petróleo por ano no mercado interno e outros 7 bilhões para manter suas bases militares espalhadas pelo mundo, sendo que possuem uma reserva própria de apenas 29 bilhões de barris. Acredita-se que o barril do Oriente Médio custe 300 dólares para eles. 100 do barril e 200 com os custos de manter as bases militares. Então eles estão numa situação desesperadora – e o Brasil vira alvo”.
Oficialmente o porta-aviões está no Rio para exercícios militares em conjunto com as marinhas brasileira e argentina. Curiosidade: um dia depois da chegada do navio ao Brasil foi registrado um terremoto em São Paulo. Três dias depois, ondas gigantes quase derrubaram um catamarã no Rio de Janeiro - deixando dois feridos. Não há como provar, mas não duvido que esses eventos possam estar relacionados aos tais "testes" militares. Seja como for, o silêncio das autoridades federais não condiz com a gravidade da presença de ogivas nucleares no interior da Baía de Guanabara.
Não há critério jornalístico que explique a falta de uma cobertura que retrate a dimensão do problema. Por outro lado, há critérios ideológicos de sobra.
Meia confusão
27.04.2008 | 21h21 |
De fato, o repórter em questão é o Britto Jr., hoje na TV Record, mas que fez o nome na TV Globo. A menina do Mídia Tática se confundiu, mas não à toa. Já disse aqui e repito: as emissoras privadas da televisão aberta brasileira são todas ideologicamente afinadas e comprometidas com a manutenção do sistema político-econômico que aí está (o que implica na existência de 72 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, segundo o IBGE – 2006). Isso também significa dizer que defendem a manutenção desse salário mínimo indigno e o genocídio do povo palestino e iraquiano, só pra ficar em dois exemplos. De modo que suas palavras e imagens são cuidadosamente trabalhadas para operar neste sentido. O lapso da menina, portanto, não é nada perto da avassaladora concentração da mídia televisiva no Brasil.
PS: Quase no final, o sujeito que expulsa o repórter e manda que ele vá tomar naquele lugar é o cartunista Carlos Latuff. Bem entendido: Latuff agiu assim depois que Britto Jr. mandou a menina "pra puta que pariu".
Analogia perfeita
27.04.2008 | 15h13 |
Além de arrogante o sujeito é covarde, o que acaba sendo uma perfeita analogia com a instituição que representa. Segundo os organizadores, o vídeo mostra a tentativa de cobertura da TV Globo sobre uma exposição sobre mídia realizada pelo coletivo Mídia Tática.
Para conhecer melhor o trabalho da Mídia Tática, clique aqui. Para conhecer melhor o trabalho da TV Globo, aqui.
Entrevista censurada
26.04.2008 | 09h26 |
Natália Viana é uma das melhores jornalistas que já conheci. Reportou durante quatro anos na Caros Amigos, onde teve o trabalho reconhecido pelo Prêmio Vladmir Herzog. Seu estilo elegante e contundente sempre tiveram lado: o do povo mais sofrido, com quem ela se misturava a cada nova reportagem. Nos últimos dois anos esteve em Londres com uma bolsa de estudos e publicou um livro sobre assassinatos políticos no Brasil de hoje, que nosso Fazendo Media resenhou na última versão impressa. Sobre esta publicação, Natália escreveu seu último post em seu blog, o Plantados no Chão (mesmo nome do livro): foi censurada pelo Estadão e pelo Jornal do Brasil. O que mostra bem o lado das corporações de mídia:
Em março, dei uma grande entrevista para um grande jornal. Procurada por um repórter de política do Estadão, respondi, por email, a todas as suas perguntas. A entrevista, eu acredito, ficou bem bacana. Infelizmente, ela jamais saiu e jamais sairá no jornal, apesar da boa vontade do repórter.
Depois de algumas semanas sem notícia, perguntei sobre a entrevista. Ele me disse que lamentava muito, mas a chefia havia considerado que não havia um gancho próximo para o tema. Afinal, o livro havia sido lançado no ano passado, e a versão online em fevereiro.
Tá. Só que desde que a entrevista foi realizada, um sem-terra foi assassinado diante da sua própria familia no Paraná; a polícia fez uma desocupação violenta contra indígenas de Manaus; o Conselho Indígena Missionário publicou o relatório Violência contra Povos Indígenas no Brasil; a CPT publicou o número de assassinatos no campo; a situação em Raposa Serra do Sol ferveu. Para o Estadão, nada disso dá “gancho”.
Não foi a primeira vez. Eu já havia dado uma entrevista ao Jornal do Brasil que acabou não sendo publicada por “falta de gancho” - apesar da jornalista ter dito que era uma pena pois o tema era importante. E assim, a nossa pequena tragédia cotidiana continua a ser não-contada.
Nem tudo está perdido. Hoje em dia existem os blogs.
Clique aqui para ler a entrevista na íntegra, não publicada pelo Estadão, mas publicada no blog da Natália. Como eles tentaram censurar, o melhor que podemos fazer é espalhar ao máximo.
A dengue, por Carlos Latuff
26.04.2008 | 08h52 |
O cartunista Carlos Latuff aproveitou um ensaio fotográfico que fez para um jornal sueco e montou este vídeo sobre a epidemia de dengue no Rio, causada fundamentalmente por políticos corruptos:
Dia do Trabalho na favela
26.04.2008 | 08h48 |
Gas-PA não é apenas cantor e compositor. É mais que isso. Estudioso do socialismo e da história do Brasil (como ela de fato ocorreu e não segundo a mídia oficial), ele procura colocar sua música a serviço da revolução de que o país precisa. Em entrevista concedida ao Fazendo Media, ele afirmou "Os grandes meios de comunicação dedicam todas as tardes de sábados e domingos a espetáculos de alienação, e quando tem que passar algo construtivo, instrutivo, tem que ser espremido em 30 minutos, às seis e meia da matina". O coletivo de hip hop de que faz parte, o LUTARMADA, trabalha com conscientização política nas favelas - tudo o que o sistema teme, pois jamais poderá tolerar que a pobreza se torne sujeito de sua própria história. Abaixo, publico, da forma como chegou, a mensagem que Gas-PA fez correr pela internet ontem:
Hei, você que é militante de squerda. Entre em uma favela, permaça por algum tempo e perceba a presença cotidiana e macissa da direita. Seja nas químicas entorpecentes, seja no arsenal de guerra portado até por crianças, seja no analfabetismo de jovens e adultos, ou no analfabetismo funcinal da smagadora maioria, seja na falta de saneamento que nos submete à indesejável e constante companhia de ratos e incetos, seja na ação violenta da policia, etc.
As favelas precisam da presença atuante da squerda sem que sejam pronunciadas as palavras VOTO e ELEIÇÃO.
Dia 27 de abril acontece a 4ª edição do HIP HOP AO TRABALHO. Um evento onde a arte e as outras formas de entretenimento são apenas um instrumento de aglutinação de membros da cominidade do Quitanda, em Costa Barros, para que possamos provocar, com nosso material impresso ou dscursos entre uma musica e outra ou a própria arte, a reflexão sobre as relações de trabalho no mundo capetalista. E isso tudo valorizando o talento local.
Assim sendo, contemplemos
Graffiti
REP
Break
BMX (acrobacias em bicicletas)
Trançagem
Beat Box
Kung fu
A partir das 10h ja ta rolando. É na quadra do Quitanda. Os ônibus são 778 (Madureira-Pavuna), 374 (Pça XV-Pavuna), 920 (Bonsucesso-Pavuna), 665 (Sães Peña- Pavuna, via Costa Barros). Descer no ponto da igrejinha, na Estrada de Botafogo. Telefones: (21) 8226-7370 ou 9889-0169.
Encaminhe pr@s compas.Venha, traga o seu material, divulgue nossa luta. Aja no sentido de fazer com que nossa comunidade entenda que nossa luta e nossos inimigos são comuns. Mas para tanto você tem que star convicto disso também.
A favela precisa sentir o calor humano de squerda ANTES DA CHACINA.
Invertendo a realidade
23.04.2008 | 13h31 |
O exemplo veio da TV Bandeirantes, no telejornal apresentado e comentado por Bóris Casoy. Ontem, a notícia sobre a violência no Rio foi construída da seguinte forma: ambientada na favela, inicia com a informação da apreensão de uma carabina .50. Enfatiza-se seu poder de fogo, capaz de derrubar aviões e helicópteros, embora não haja registro de aeronaves derrubadas deste modo no Rio de Janeiro. Aspas para o policial, que manuseia a arma e explica seu funcionamento à repórter. Talvez uma loira de olhos claros, que ao final faz a pergunta de retórica: “Quem fez isso sabia o que estava fazendo?”. Claro, diz o capitão. (Detalhes que provavelmente não foram notados pela maior parte da audiência: as imagens mal conseguem esconder o remendo da arma, feito com a aplicação de fita isolante em dois pontos próximos às extremidades. Também pega mal a demonstração do policial, que engatilha a arma segurando o cano com a mão esquerda – o que poderia queimá-lo se a arma realmente estivesse em uso). Corta-se para a informação de que 14 pessoas já morreram na Vila Cruzeiro, mas não se diz quem matou quem. Como o trecho inicial dá conta de uma arma poderosíssima utilizada pelos bandidos, o público é levado a acreditar que os 14 mortos foram por eles assassinados, quando na verdade aconteceu justamente o contrário.
A isto chama-se Padrão de inversão: “Fragmentado o fato em aspectos particulares, todos eles descontextualizados, intervém o padrão da inversão, que opera o reordenamento das partes, a troca de lugares e de importância dessas partes, a substituição de umas por outras e prossegue, assim, com a destruição da realidade original e a criação artificial de outra realidade. É um padrão que opera tanto no planejamento como na coleta e na transcrição das informações, mas que tem seu reinado por excelência no momento da preparação e da apresentação final, ou da edição, de cada matéria ou conjunto de matérias” (Páginas 28 e 29 do livro “Padrões de manipulação na grande imprensa”, de Perseu Abramo. Editora Fundação Perseu Abramo).
Do mesmo modo procede o jornal O Globo desta terça-feira (22/4). Em sua página 3, sob o título “Impunidade no campo”, o texto sugere que a Justiça se omitiu diante das ocupações promovidas pelo MST este mês. Na verdade, o que acontece é justamente o contrário: contra os trabalhadores do campo a Justiça age com rapidez, mas contra fazendeiros e jagunços, ela é lenta. Prova disso foi a intimação do MST a pedido da Vale. Demorou apenas 3 dias entre o pedido e a intimação. Já o massacre de Eldorado dos Carajás, que deixou 19 mortos e 69 incapacitados para o trabalho, tem 12 anos ninguém punido.
Cenas do próximo capítulo
23.04.2008 | 11h22 |
Dois leitores me cobram um comentário a respeito da morte da menina Isabella. Até agora não comentei nada a respeito daquilo que as corporações de mídia convencionaram chamar de "Caso Isabella" por por uma razão muito simples: o que essa mídia divulga não tem credibilidade, sobretudo quando ela o faz pensando na margem de lucro e quando temos um caso recente (Escola Base) que serve para, no mínimo, nos fazer suspeitar de suas palavras e imagens. Além disso, é preciso dizer que por mais doloroso e comovente que seja a morte da menina, existem milhares de outras crianças assassinadas que não recebem a centésima parte desta cobertura - marcada essencialmente pelo sensacionalismo barato. Um só exemplo: alguém já ouviu falar do "Caso Renan Ribeiro"? Não? Pois bem. Este menino tinha apenas 3 anos de idade quando levou um tiro de fuzil, disparado por policiais, no dia primeiro de outubro de 2006. Só que foi na favela da Maré e não num bairro chique de São Paulo. Portanto, quando a mídia passa a comentar um caso à exaustão, prefiro me concentrar em discutir temas mais importantes para o conjunto da população brasileira, como a democratização da mídia, a implantação da CPI da Dívida Pública, a regulamentação do artigo 153 da Constituição Federal, que determina a cobrança de impostos sobre grandes fortunas e etc. Tem outra coisa: o recuo da polícia de São Paulo ontem sinaliza a ausência de provas definitivas contra o casal que, há muito, já foi condenado pelas corporações de mídia. Se isto se confirmar, estaremos diante de um novo Caso Escola Base, quando essa mídia foi condenada a pagar mais de R$ 1,5 milhão por danos morais. Por enquanto sugiro a leitura deste artigo do jornalista Julio Moreira, publicado neste endereço:
Por Julio Moreira (*)
Ontem foi a vez do Jornal da Cultura fazer uma análise crítica da cobertura do caso Isabella, entrevistando o professor Carlos Alberto Di Franco, especialista em ética da comunicação. Na entrevista, Di Franco demonstrou grande preocupação com o que ele chama de "troca do jornalismo pelo entretenimento".
Com as grandes audiências do caso Isabella, os telejornais estão deixando de fazer jornalismo e investindo em matérias apenas para continuar falando do caso, sem notícia. Matérias e mais matérias visando o Ibope. O irônico é que a entrevista com Di Franco foi ao ar logo após a matéria onde o Jornal da Cultura repetiu imagens do Fantástico do dia anterior.
Foi também o que fez o Jornal Nacional. Quatro matérias onde o principal assunto foi a entrevista exclusiva que os suspeitos de assassinar a menina deram ao Fantástico. Quer dizer, matérias onde não havia notícia nova, apenas retórica.
Em situação pior ficou o Jornal da Record, que não tinha imagens da entrevista para repercutir. Na verdade, até fez uma coisa não muito louvável: entrevistou uma pessoa na rua desacreditando a veracidade das declarações dadas ao Fantástico.
Outra coisa que chamou atenção na cobertura do Jornal Nacional foi que as matérias do Caso Isabella agora são dividas entre os blocos e não mais agrupadas na abertura do jornal. E para confirmar a estrutura de minissérie que a TV Globo dá ao caso, no final do noticiário, uma nota dizia que nesta terça (22/04) haverá o depoimento dos avós paternos na delegacia de polícia.
Só faltou falar: veja as cenas do próximo capítulo.
(*) Jornalista, diretor de vídeos e professor universitário. Trabalhou na TV Manchete, SBT e Record.
Duas coberturas e duas medidas
22.04.2008 | 15h10 |
Leia aqui análise do Blog do Mello a respeito do jornal O Globo e sua cobertura sobre as violências.
Bala tamanho long-neck
16.04.2008 | 18h40 |
O BOPE acaba de apreender na Vila Cruzeiro, na Penha, um lote de munição para metralhadora ponto 50, de extremo potencial bélico. As balas têm tamanho semelhante à de uma garrafa long neck. O material está exposto no 16º BPM (Olaria) e posteriormente será encaminhado à 21 ª DP (Bonsucesso).
Acabo de receber a notinha acima da Secretaria de Segurança Pública do RJ. Claro que haveria pelo menos um grande motivo para que a polícia matasse 9 pessoas e ferisse outras tantas na "ação" realizada ontem na Vila Cruzeiro. E vejam vocês como os motivos vêm crescendo ultimamente... Agora estamos diante da assustadora constatação de que os bandidos possuem munição tamanho "long-neck", adjetivo que talvez refresque um pouco a cruel realidade - pelo menos esta que tentam nos impor. Ora, não seria o caso de perguntarmos quantas vezes tivemos nossas vidas atrapalhadas por esses quase-mísseis? Ou, na sociedade do espetáculo, trata-se de dado irrelevante? A essa comparação fantástica soma-se o comentário do Comandante Marcus Jardim: "nossa força policial é o melhor remédio contra a dengue, é o mata mosquito, é o SBPM". Esmagar os bandidos pobres como insetos faz parte da lógica do poder, enquanto os bandidos ricos nem como bandidos são rotulados pelos órgãos oficiais de imprensa. Enquanto isso, a denúncia fartamente documentada de execução - feita por uma mãe que perdeu um filho - durante a matança de ontem sumiu dos noticiários, que na verdade nunca se importaram muito com as diversas categorias de pobres - ou de insetos. Costumam optar pelo elogio aos vermes.
'Para perturbar a ordem'
16.04.2008 | 16h28 |
Segue abaixo mensagem enviada há pouco por Marcelo Braga, integrante da Rede Contra a Violência:
Hoje 16/04/2008, fazem 4 anos que realizamos a passeata "Posso me identificar", que lembrava a passagem de um ano da Chacina do Borel, quando Thiago da Costa Correia da Silva, 19, Carlos Alberto da Silva Pereira, 21, e Carlos Magno de Oliveira Nascimento, 18 e Everson Silote, de 26 anos foram executados por PMs na localidade da Vila Preguiça no morro. Logo após a chacina, uma grande mobilização da comunidade do Borel e de outras vizinhas desceram a Conde de Bonfim (Tijuca) até a Praça Saens Pena, num ato surpreendente de luta e protesto pela morte destes e de outros jovens nas comunidades. A passeata de 2004, que se repetiu em 2005 (já como Rede), foi uma marco na história das lutas das favelas contra a violência policial, por mudar a forma e a cor de como se realizavam as passeatas e atos contra violência até então. A nossa cor é negra, negra dos mortos e negra dos lutos de tantas famílias e amigos que sobrevivem e lutam por algum tipo de reparação ou mesmo por vingança ou simplesmente para pertubar a paz de nossos algozes e a nossa forma também não é para pedir paz, mas para exigir respeito e mostrar que temos cara e força e que quando transformarmos esta força em luta, vamos enfim mudar esta situação, doa a quem doer! Enquanto continuarmos lembrando estes mortos, eles permanecerão vivos e esta lembrança há de estimular a nossa reação, mas com certeza não faremos como eles fazem. Mostraremos que as coisas podem e devem ser diferentes, sem massacres e nem chacinas covardes. Já que as chacinas e massacres não param (novamente tiroteio na vila cruzeiro agora), que novas passeatas e novos atos venham, para que, pelo ao menos, possamos perturbar a ordem!
Série sobre as Farc
16.04.2008 | 01h20 |
Muitos falam das Farc, mas poucos a conhecem. O repórter espanhol David Beriain, que se especializou em cobrir guerras e guerrilhas ao redor do planeta, foi ao interior da selva colombiana e produziu uma série de reportagens sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O capítulo de apresentação pode ser visto aqui. Essas são as mais recentes imagens do grupo guerrilheiro, após o assassinato de Raúl Reyes.
"Q" de queda na credibilidade
16.04.2008 | 01h13 |
As Organizações Globo conseguem se superar a cada dia quando seus noticiários tratam do MST. Para não admitir que erraram ao afirmar que eram do MST os militantes que ameaçavam interditar a Estrada de Ferro Carajás [veja a nota], resolveram sair com essa: "Para escapar da Justiça, militantes do MST vestiram camisas do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração". É o "Q" da Globo, de "Queda" na credibilidade.
MST aguarda resposta da Justiça
13.04.2008 | 19h17 |
Os advogados do MST esperam para amanhã ou terça uma resposta da contestação apresentada em defesa de João Pedro Stédile e do movimento em geral. Na terça-feira passada (8/4), os advogados do MST, acompanhados por parlamentares, músicos e jornalistas que não esqueceram seu juramento profissional, foram recebidos pelo juiz titular da 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Wilson Nascimento Reis, que vai decidir se anula a decisão da juíza substituta Patrícia Rodriguez Whately. A magistrada, a pedido da Vale do Rio Doce, arbitrou multa de 5 mil reais contra Stédile a cada vez que ele se manifestar em público ou que o MST promover ocupações para denunciar a violenta opressão imperialista sobre o Brasil.
Entretanto, as perspectivas não são das melhores. Segundo Mariana Trotta, advogada do MST, quando a delegação chegou ao Fórum já havia um advogado da Vale do Rio Doce aguardando. Depois chegaram mais dois. Mariana relatou ainda que o juiz Wilson Nascimento Reis permitiu que os homens da Vale presenciassem a argumentação dos advogados do MST.
'Proteção divina contra dengue'
13.04.2008 | 18h52 |
Quem fez as fotos e o texto abaixo foi o sempre atento cartunista Carlos Latuff, cuja arte anti-imperialista é usada no mundo inteiro. Aqui vai sua denúncia contra mais essa malandragem de uma Igreja que abusa da boa fé de milhões de incautos, distorcendo brutalmente os ensinamentos de Jesus Cristo, que lutou contra os vendilhões do templo, condenou a usura dos banqueiros da época e defendeu uma das teses mais revolucionárias que eu conheço: "Ame o próximo como a si mesmo":
Diante da epidemia de dengue que mata no Rio de Janeiro, muitas soluções tem sido apresentadas. Larvicida, fumacê, tendas de hidratação, hospitais de campanha, anúncios na TV e outdoors na tentativa de esclarecer a população quanto ao combate dos focos do mosquito. Esqueça tudo isso! A salvação está num "óleo santo" distribuido pela notória Igreja Universal do Reino de Deus. Num panfleto intitulado "Proteção divina contra a dengue", a Igreja conclama os incautos a se concentrarem nas dependências da suntuosa "Catedral Mundial da Fé", onde receberão um "cálice com o óleo santo" para que "todos sejam livres desta epidemia". No verso do folheto, um espaço para que o fiel possa listar as pessoas que serão agraciadas com a "oração da proteção".
Doenças mentais e deserção
13.04.2008 | 16h20 |
Para manter o controle sobre o petróleo o governo dos EUA não se importa nem mesmo com a saúde de seus militares. Pesquisa divulgada pela BBC (mas omitida ou minimizada pela mídia grande daqui) e realizada pelo departamento médico das Forças Armadas dos Estados Unidos concluiu que um em cada quatro soldados dos EUA no Iraque sofre danos à saúde mental.
O estudo do Mental Health Advisory Team se baseou no depoimento anônimo dado por cerca de dois mil combatentes.
"Você se torna propenso ao suicídio. Às vezes seus pensamentos e ações são irracionais", disse o veterano franco-atirador americano Garrett Reppenhagen.
"Muitas pessoas sofrem alucinações e esse não é o comportamento que se quer de alguém que anda armado 24 horas por dia, sete dias por semana."
No Iraque, Reppenhagen diz ter presenciado o suicídio ocorrido em campo de batalha de alguns de seus colegas. Outro dado relevante que não recebe a devida atenção do jornalismo aliado da CIA diz respeito ao alto índice de deserção entre as tropas invasoras no Iraque. Cerca de 6 mil soldados dos EUA e da Inglaterra já abandonaram seus postos ou se recusaram a participar do genocídio promovido pelo governo Bush em conluio com corporações privadas.
Manipulação da mídia em Campinas
13.04.2008 | 15h43 |
Amigos, acabo de receber a mensagem abaixo do Diego, que mora em Campinas e mantém um blog crítico às corporações de mídia. Ele denunciou recentemente a manipulação de informações referentes a uma ocupação do MTST:
Marcelo,
Meu nome é Diego Bevilacqua e sou leitor assíduo de seu site. Tenho um blog, o HTTP://resistenciavermelha.blogspot.com, onde denuncio, assim como o Fazendo Media, a inescrupulosa atividade da grande mídia no nosso país.
No meu último post, falei sobre a cobertura da mídia local (de Campinas, onde moro) sobre a ocupação do MTST em uma fazenda e suas reinvindicações.
Gostaria de lhe indicar essa cobertura em seu blog sobre o assunto.
Ele foi tratado na mídia de Campinas, pela EPTV da Globo, com total parcialidade, onde preocuparam-se mais com a saúde dos gados do latifundiário, que com a situação social das famílias desabrigadas.
Diego, meu caro, melhor que este blog entrar na cobertura é recomendar que o pessoal que passa por aqui a ler o seu blog também. Está dado o recado.
CIA no Palácio da Presidência da Bolívia
12.04.2008 | 01h03 |
Alguém viu essa notícia nas corporações de mídia? Eu vi no Brasil de Fato:
O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou que seu governo, no começo da gestão, em 2006, eliminou um escritório que a CIA (agência de inteligência dos EUA) mantinha dentro do Palacio Quemado, como é conhecido o edifício da presidência, em La Paz. "Depois de dois ou três meses, nos demos conta de que no Palácio havia um escritório da CIA. Um ex-general da polícia dava informes [à agência estadunidense] sob o pretexto de luta contra o terrorismo", denunciou, na quinta-feira (10), durante discurso de entrega de terras para comunidades afetadas pelas inundações.
Pela instalação da CPI da Dívida!
12.04.2008 | 01h03 |
Há um tema importantíssimo em discussão no Congresso Nacional: a instalação da CPI da Dívida Pública, que conta com o mais absoluto silêncio das corporações de mídia.
A iniciativa foi do PSOL, que se mobilizou desde fevereiro e conseguiu recolher, na Câmara dos Deputados, 185 assinaturas. São 14 a mais que o mínimo necessário. O deputado Ivan Valente disse ao blog que não há nenhum impedimento regimental para o início dos trabalhos; basta apenas vontade política do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para que a CPI seja instalada. Em sua página na internet, Ivan pede a todos que enviem mensagens para Chinaglia cobrando a instalação imediata da CPI da Dívida Pública. O endereço é [email protected]. A mensagem deve ser enviada com cópia para [email protected] e [email protected], para que os deputados do PSOL também possam levar as cobranças pessoalmente.
Apenas durante o governo Lula foram destinados R$ 851 bilhões para o pagamento de juros. Durante o governo FHC, sua equipe econômica garantiu para o país que a privatização do patrimônio público serviria para liquidar essa dívida. Nossas empresas foram vendidas e a dívida só fez aumentar. O PSDB ainda não explicou onde foram parar os R$ 70 bilhões arrecadados com os leilões que entregaram as riquezas nacionais. Além disso, é preciso lembrar que o artigo 26 da Constituição Federal determina o seguinte: “No prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição, o Congresso Nacional promoverá, através de Comissão mista, exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro. § 1º - A Comissão terá a força legal de Comissão parlamentar de inquérito para os fins de requisição e convocação, e atuará com o auxílio do Tribunal de Contas da União. § 2º - Apurada irregularidade, o Congresso Nacional proporá ao Poder Executivo a declaração de nulidade do ato e encaminhará o processo ao Ministério Público Federal, que formalizará, no prazo de sessenta dias, a ação cabível”.
O país perde cerca de R$ 200 bilhões todos os anos apenas com os juros e os serviços da dívida pública. Diante de uma investigação séria, certamente serão constatadas fraudes. Além disso, é preciso questionar a legitimidade dos empréstimos contraídos pelos ditadores entre 1964 e 1985, já que eles não foram eleitos pelo povo. Todos temos o direito de saber quando, como, onde e em que circunstâncias essa dívida foi contraída em nosso nome. Parte deste dinheiro poderia – e deveria – ser destinado às políticas públicas de Saúde, Educação, Habitação, Comunicação Social e tantas outras áreas que hoje se encontram sucateadas devido às administrações neoliberais.
Felizmente, as corporações de mídia não possuem mais o poder que tinham antigamente. Houve ocasiões em que não foi possível abafar os anseios do povo, como aconteceu durante as manifestações das Diretas. Hoje, sobretudo com o advento da internet, é possível organizar manifestações, protestos, ações diretas, boicotes a empresas e tantas outras atividades que jamais seriam veiculadas pela mídia hegemônica em razão de seus interesses político-econômicos. Isto quer dizer que também podemos levar ao conhecimento público a informação de que a CPI da Dívida Pública está engavetada na mesa de Arlindo Chinaglia. Bastam alguns cliques para repassá-la aos nossos contatos e listas de discussão.
Tentativa de golpe completa 6 anos
11.04.2008 | 23h15 |
Engraçado. Não vi nas corporações brasileiras de mídia referência aos seis anos, completados hoje, da tentativa de golpe de Estado na Venezuela. Isto é um fato político, assim como a invasão do Iraque - cuja imbecilidade é lembrada a cada ano, ainda que pela ótica dos invasores. Será que essa omissão se deve à decisiva participação da mídia privada na conspiração que derrubou Chávez por 48h, naquele 11 de abril de 2002? Seja como for, faço aqui o registro com um artigo do jornalista e escritor Ignácio Ramonet, editor do Le Monde Diplomatique:
A conspiração contra Chávez
Chávez não havia mandado disparar contra os manifestantes como alguns canais de televisão disseram de forma mentirosa (refiro-me às trucagens que a emissora Venevisión difundiu mundialmente). As provas de que ocorreu o contrário existem e mostram que os primeiros tiros foram dados contra os partidários de Chávez, vindos de franco-atiradores misturados aos manifestantes golpistas e fazendo quatro mortos.
Este gravíssimo golpe contra a democracia, com seu aspecto caricatural (uma junta militar presidida pelo chefe de uma associação patronal), fez a América Latina retroceder, durante 48 horas, a uma era política que pensávamos superada, os anos de pinochetismo e da repressão. Foi uma terrível advertência para todos os dirigentes latino- americanos que quiserem se opor ao modelo neoliberal. Essa advertência se dirige, em primeiro lugar, a Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores à presidência do Brasil, que as pesquisas de intenção de voto colocam como favorito para as eleições de outubro.
Toda essa conspiração se desenvolveu enquanto eu estava em Caracas, uma semana antes dela ser efetivada. A atmosfera era de extrema tensão, sentia-se que o golpe viria.
A Venezuela possui uma estrutura econômica escandalosamente desigual. 70% da população vive na pobreza. Durante quarenta anos, dois partidos, a Ação Democrática e o Copei, repartiram o poder e a riqueza nacional. Os níveis de corrupção alcançaram dimensões gigantescas.
Percorríamos à noite as ruas de Caracas e Hugo Chávez me dizia que a Venezuela havia recebido, de 1960 até 1998, o equivalente a quinze Planos Marshall em venda de petróleo. "Com um único Plano Marshall – me dizia Chávez – pode se reconstruir toda a Europa destruída pela Segunda Guerra Mundial. Com quinze Planos Marshall, só conseguimos que certos corruptos conquistassem algumas das maiores fortunas do mundo, enquanto a maioria da população vive na miséria".
Esse sistema de corrupção, combatido por Chávez, acabou de ser derrubado em 1998. Os partidos AD e Copei foram rejeitados e desapareceram. Chávez foi eleito presidente com um programa de transformação social e com o propósito de fazer da Venezuela um país mais justo e menos desigual. Alguns pensaram que, como tantos outros, uma vez no poder, Chávez se esqueceria de suas promessas e tudo seguiria igual. Mas esse comandante, de origem humilde, admirador dos grandes lutadores da liberdade na América Latina, estava decidido a não decepcionar seus eleitores, aqueles que viam nele a última esperança para sair da pobreza, da falta de educação e da humilhação. "A luta pela justiça, a luta pela igualdade e a luta pela liberdade – me dizia Chávez – alguns chamam socialismo, outros chamam cristianismo, nós chamamos de bolivarismo."
Seu governo lançou toda uma série de reformas sociais: escolas nos bairros esquecidos, realizações em favor dos indígenas, microcréditos para as pequenas empresas, lei de terras em favor dos camponeses sem terra, melhoras da infra-estrutura no interior do país etc. "Estamos diminuindo o desemprego", contava-me Chávez. "Criamos mais de 450 mil novos postos de trabalho. Nos últimos anos, a Venezuela subiu quatro posições no Índice de Desenvolvimento Humano. O número de crianças escolarizadas aumentou em 25%. Mais de 1,5 milhão de crianças que não iam à escola já estão integradas e recebem roupa, comida, material e merenda. A mortalidade infantil diminuiu. Estamos construindo mais de 135 mil moradias para famílias pobres. Estamos repartindo as terras aos camponeses sem terra. Criamos um Banco da Mulher que concede microcréditos.
No ano de 2001, a Venezuela foi um dos países com maior crescimento no continente, cerca de 3%... Estamos tirando o país da estagnação e do atraso".
À medida que essas reformas entraram em prática, muitos dos que apoiaram Chávez deixaram de apoiá-lo. Tratavam-no como o "caudilho", chamavam-no de autocrata e essa liberdade de crítica jamais havia existido antes. Ninguém foi preso por crimes de opinião. Mas a minúscula classe rica e a classe média alta, essencialmente brancas, viam com pavor a perspectiva de ver subirem na escala social os negros e os mestiços que aqui, como em toda a América Latina, ocupam os lugares mais inferiores da sociedade. "Existe um racismo incrível em nossa sociedade", me dizia Chávez. "Chamam a mim de El Mono, ou O Negro, não suportam que alguém como eu tenha sido eleito presidente". Assim se chegou à situação de 11 de abril. Uma situação de confrontação de classe contra classe. Por um lado, o presidente Chávez, apoiado por uma parte majoritária do povo comum, por outro, uma aliança neo-conservadora, a burguesia que ocupava as ruas do bairro rico com panelas, apoiada pela associação patronal, os meios de comunicação ferozmente hostis, mentindo de forma descomunal, inventando rumores e calúnias, falseando as evidências, e a camada aristocrática dos trabalhadores (do setor do petróleo), mobilizados pela CTV, a central sindical considerada a mais corrupta da América Latina.
Essa aliança reacionária declarou uma guerra sem quartel ao presidente Chávez, com o apoio de alguns meios internacionais (como, por exemplo, o canal CNN em Espanhol) e com o apoio dissimulado dos Estados Unidos. Washington, com sua vontade de dominar o mundo depois do 11 de setembro, não podia suportar, como declarou Colin Powell semanas atrás, a independência diplomática da Venezuela, seu papel na Opep, sua falta de apoio ao Plano Colômbia, sua atitude militante contra a globalização neoliberal.
Faz alguns meses, a administração Bush nomeou como subsecretário de Estado para Assuntos Americanos Otto Reich, antigo colaborador de Reagan, colaborador no caso Irã-contras, especialista na organização de sabotagens e de atentados, mestre na arte da contra-revolução. Otto Reich foi o arquiteto oculto da conspiração contra Chávez.
Essas más intenções dos Estados Unidos, na véspera do golpe, Hugo Chávez já as percebia com enorme lucidez. "A greve geral de 9 de abril é só uma etapa da grande ofensiva norte-americana contra mim e contra a revolução bolivariana. E seguiram inventando uma série de coisas. Não me admiraria que amanhã inventem que escondo Bin Laden na Venezuela. Não estranharia que mostrassem algum documento com datas e provas de que Bin Laden e um grupo de terroristas da Al-Qaeda estão nas montanhas da Venezuela. Preparam um golpe e, se fracassam, preparam um atentado."
Vale sob suspeita
11.04.2008 | 22h08 |
Da Agência Brasil, matéria que poderia colocar a direção privatizada da Vale nas páginas policiais:
A contratação de um funcionário do alto escalão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pela empresa Vale, uma semana após a mineradora ter recebido o maior empréstimo concedido pelo banco em sua história, de R$ 7,3 bilhões, foi criticada pelo ex-presidente da instituição, o economista Carlos Lessa.
Lessa ficou à frente do BNDES de janeiro de 2003 a novembro de 2004. Ele classificou como “moralmente duvidosa” a ida do ex-chefe da secretaria-executiva da presidência do banco, Luciano Siani Pires, para a Diretoria de Planejamento Estratégico da Vale.
“Legalmente, o funcionário pode ir para a Vale. Agora, do ponto de vista estritamente ético, eu, [se fosse] funcionário do BNDES, não iria. Para não me colocar sob suspeita de ter favorecido [a empresa] para meu interesse pessoal”, afirmou.
Nosso Código de Ética
11.04.2008 | 20h09 |
Alguns trechinhos retirados do livro "A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística", de Nilson Lage, pra gente ver que além de rasgar o juramento profissional, diversas empresas de comunicação também desrespeitam nosso Código de Ética:
"Art. 9, alínea 'e': É dever do jornalista opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem";
"Art. 10, alínea 'd': O jornalista não pode concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais ou de sexo";
"Art. 16: O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional, em seus aspectos político, econômico e social, e pela prevalência da vontade da maioria da sociedade, respeitados os direitos das minorias".
Cabe lembrar que em recente plebiscito organizado por diversos movimentos sociais, cerca de 90% dos 6 milhões de votantes concordaram com a reestatização da Vale do Rio Doce.
Os novos terroristas da mídia
10.04.2008 | 05h20 |
Poucas vezes uma reportagem foi tão distorcida quanto a do Jornal Nacional desta quarta-feira (9/4) a respeito do MST [por enquanto ainda pode ser assistida aqui]. Nos dois minutos e vinte e quatro segundos da matéria busca-se a criminalização dos camponeses; para tanto, imagens e palavras são cuidadosamente articuladas para transmitir ao telespectador a idéia de que os militantes do MST é quem são os responsáveis por todo o medo que ronda os paraenses.
Logo na abertura da matéria, o fundo escurecido por trás do apresentador exibe a sombra de três camponeses portando ferramentas de trabalho em posições ameaçadoras, como a destruir a cerca cuidadosamente iluminada pelo departamento de arte da emissora. Quando os militantes aparecem nas imagens, estão montando o acampamento e utilizando folhas de palmeiras - naturalmente já arrancadas das árvores. Quando a matéria corta para ouvir a opinião de um empresário local, ele tem ao fundo exatamente uma folha de palmeira, só que firme no solo - e vistosa, viva. O representante da Vale do Rio Doce é o que tem mais tempo para se manifestar, tanto tempo que até gagueja - e balbucia: "esses movimentos... estão [nos] impedindo de trabalhar". Em nenhum momento os representantes do MST são ouvidos, o que contraria, inclusive, as próprias regras do jornalismo da Globo. Mas quando os interesses comerciais de empresas amigas estão em jogo, no caso a Vale do Rio Doce, tudo indica que essas regras são postas de lado.
Outro dado marcante desta reportagem veiculada pelo Jornal Nacional é a descontextualização dos fatos. O telespectador é apenas informado que o MST “ameaça invadir a Estrada de Ferro Carajás, da Companhia Vale”, mas não se explica que esta ação direta tem uma origem: a privatização fraudulenta da Vale do Rio Doce. A companhia foi leiloada, em 1997, por R$ 3,3 bilhões. Valor semelhante ao lucro líquido da empresa obtido no segundo trimestre de 2005 (R$ 3,5 bi), numa clara demonstração do prejuízo causado ao patrimônio do povo brasileiro. Desde então, cidadãos e cidadãs vêm promovendo manifestações políticas e ações judiciais que têm por objetivo chamar a atenção da sociedade brasileira e sensibilizar as autoridades competentes para anular o processo licitatório. Se há uma diferença brutal entre discordar de uma determinada opinião e omiti-la, este caso torna-se ainda mais grave porque não se trata de uma opinião, e sim de um fato político: a privatização da Vale está sendo questionada na Justiça – e com grandes chances de ser revertida. Ao sonegar esta informação, a Globo comete um crime e deveria ser punida pelos órgãos competentes.
Com a mesmíssima parcialidade age o jornal O Globo. A reportagem publicada no mesmo dia sobre o MST não deixa dúvidas quanto ao lado assumido pela publicação. A chamada na capa diz tudo: “MST desafia a Justiça e volta a ameaçar a Vale”; o pequeno texto, logo abaixo, aprofunda a toada: “O MST ameaça descumprir ordem judicial e invadir novamente a ferrovia de Carajás, da Vale, no Pará. Moradores da região estão atemorizados, com a cidade cercada por mais de mil militantes do MST, a quem acusam de terrorismo”. A reportagem principal, à página 9, é acompanhada de outra de igual tamanho. Ambas ouvem apenas a versão da mineradora privatizada pelo governo tucano de FHC. Imediatamente abaixo, como a reforçar a visão policialesca, uma fotografia de um homem morto sobre o título: “Em Porto Alegre, um flagrante de homicídio”. Nenhum dos dois veículos (O Globo e JN) registrou o apoio recebido pelo MST por artistas, intelectuais e lideranças partidárias.
Esta falsa preocupação do “Globo” com a defesa do povo brasileiro não é de agora. O mesmo jornal que hoje sugere que os militantes do MST são terroristas por atemorizar os paraenses procedeu da mesma forma há 44 anos, quando um golpe de Estado derrubou o presidente constitucional João Goulart. Em texto editorial do dia 2 de abril de 1964, o “Globo” assinalou:
- Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas (...) para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas (...), o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. (...) Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente (...) Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. (...) Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.(...) A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo.(...) Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos (...).
Assim como para o “Globo” os inimigos do passado eram aqueles que se insurgiam contra a ditadura que seqüestrou, torturou e matou milhares de brasileiros, hoje os terroristas são aqueles que lutam contra as multinacionais que roubam o patrimônio público, danificam o meio-ambiente e produzem graves problemas sociais. É exatamente por isso que ao interromper o fluxo de exportação de uma dessas empresas os militantes do MST acertam em cheio no sistema nervoso do capitalismo. Dotados apenas de enxadas e coragem, os sem-terra enfrentam jagunços armados, policiais e poderosos grupos de comunicação - esse coquetel que tem como objetivo massacrar o povo organizado. Assim é que os militantes do MST ensinam ao povo brasileiro: não é uma luta justa, mas é uma luta que pode ser vencida.
Por outro lado, o jornalismo das Organizações Globo mais uma vez revelou seu caráter covarde e submisso. Aliou-se aos poderosos e rasgou o juramento profissional da categoria, sobretudo no seguinte trecho: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade".
Mas não há de ser nada. A História vai se ocupar de reservar a cada qual seu devido lugar.
Pentágono monitora cartunista brasileiro
10.04.2008 | 01h30 |
(Clique na imagem para ampliá-la)
Escrevo porque precisamos repercutir essa vigilância contra o cartunista Carlos Latuff. Seus desenhos têm sido cada vez mais utilizados pelas resistências iraquiana, palestina, zapatista e outras que enfrentam o imperialismo estadunidense. Depois de ser ameaçado de morte por um grupo ligado ao Likud, partido israelense de extrema-direita, agora agentes dos Pentágono e do Departamento de Defesa dos EUA estão monitorando seu blog. Clique aqui para acessá-lo e se inteirar da história.
É compreensível que Carlos Latuff seja uma preocupação para os espiões de Bush. Sua arte está a serviço da luta antiimperialista e seus traços são capazes de mover exércitos. Não é à toa que o agente do Pentágono tenha acessado diretamente uma determinada charge que incentiva os iraquianos a não obedecer às ordens das tropas ianques – o desenho vem sendo espalhado nos muros de Bagdá (veja aqui a imagem ampliada - o título, em árabe, quer dizer algo como "Não seja um cachorro dos ianques"). Sua imagem de Che Guevara com trajes árabes tem sido sistematicamente espalhada pelas ruas da Palestina; um membro do Exército Zapatista de Libertação Nacional o encontrou na UERJ, no Rio, e agradeceu pelas ilustrações exaltando a guerrilha.
Carlos Latuff, desta forma, globaliza a resistência. Exatamente como previram Milton Santos e Dênis de Moraes: se a opressão é globalizada, o enfrentamento só pode ser globalizado. Assim é que o rabisco de um carioca suburbano vai parar no Oriente Médio. Em entrevista concedida ao Fazendo Media, Latuff garante que não vai se deixar abater pelas ameaças. “Eu dei a minha palavra para um palestino que conheci em Ebrom, seu Adris, eu sempre cito isso. O meu compromisso é com os palestinos, eu não estou preocupado com o que vai acontecer comigo. Não vou mudar em nada a minha rotina, o que eu penso, o que eu faço, vou continuar defendendo, seja no tribunal, seja numa entrevista, sempre estarei defendendo o povo palestino. É mais fácil me matarem do que eu mudar de idéia. Agora, uma coisa que eu acho genial é que não faz diferença eu estar vivo ou morto. Porque os meus trabalhos estão espalhados pelo mundo inteiro, eles não dependem da minha existência”. Leia a íntegra da entrevista aqui.
O desprendimento do Latuff é comovente, mas nós podemos fazer alguma coisa para protegê-lo. Divulgar as ameaças para nossas listas de contato. Informar a cada conhecido sobre a mobilização da espionagem ianque contra este artista brasileiro. Esta noite entrei em contato com o diretor da Telesul no Brasil, Beto Almeida, que se interessou em divulgar uma reportagem sobre o assunto. Espera-se também que a TV Educativa do Paraná entre na pauta. Se cada um aqui repercutir nos veículos a que tiver acesso e em seus próprios blogs, com certeza Carlos Latuff estará mais protegido. E a resistência, fortalecida!
PS: Leia aqui outra excelente entrevista de Carlos Latuff, concedida ao Coletivo Catarse.
Da série 'as mentiras que a mídia conta'
10.04.2008 | 01h23 |
De Eduardo Galeano, no livro "Bocas do Tempo" (Editora L±):
Evidências
- Boa noite, saúda a voz grave, e à continuação anuncia o pior: Medo, impotência, desamparo...
A televisão oferece o seu mais bem-sucedido coquetel de sangue e pânico. O programa da TV Globo, que estremece milhões de brasileiros, relata as ferocidades da fauna criminosa contra a população indefesa.
Agosto de 1999: é a vez de Marcos Capeta, o herdeiro dos cangaceiros, o terror da Bahia.
Os atores profissionais dramatizam a história. Um primeiro plano mostra rostos atônitos de policiais. A fera aponta sua metralhadora, que num minuto dispara duas mil balas três vezes mais velozes que o som. A camionete policial explode. Na encenação, efeitos especiais: as chamas da explosão desenham, no ar, o rosto do assassino, que cinicamente sorri.
A televisão o acusa e julga. E o condena, sem ouvi-lo. Marcos Capeta está marcado para morrer. Não vai ser fácil. Ele é o chefe de um bando numeroso.
Desata-se a caçada fulminante. As forças da lei e da ordem se encarregam da execução.
No programa seguinte, a imensa teleplatéia suspira e aplaude. As telas exibem o troféu. Após um longo combate, a sociedade tem um inimigo a menos.
Nilo Batista se deu o trabalho de ler o expediente judicial e o relatório policial. O foragido caiu, crivado de balas, numa casa solitária. Não tinha, nem jamais havia tido, nenhuma metralhadora, e seu bando numeroso consistia num menino de catorze anos, que foi morto a seu lado.
Precisa dizer mais alguma coisa?
09.04.2008 | 02h31 |
Segue abaixo um trecho do editorial do jornal O Globo de 2 de abril de 1964, republicado na última edição do Brasil de Fato. O texto faz parte da nossa história e é bom a gente relembrá-lo 44 anos após o golpe que ajudou a fazer do Brasil um dos países mais desiguais do mundo. Leia aqui a íntegra.
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas (...) para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas (...), o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. (...) Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente (...) Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. (...) Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.(...) A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo.(...) Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos (...).
Banco da ALBA será inaugurado
09.04.2008 | 02h25 |
Mais uma notícia que não se vê por ali: "O banco da Alternativa Bolivariana para a América (Alba) entrará em funcionamento a partir do próximo dia 25. O anúncio foi feito pelo ministro venezuelano de Indústria Básica e Mineração, Rodolfo Sanz, durante reunião da Comissão de Mesas Técnicas da Alba, realizada no último final de semana em Caracas. De acordo com Sanz, os primeiros projetos a serem financiados pelo banco serão nas áreas de telecomunicações, agricultura e indústria de alimentos e medicamentos. Já está prevista a criação de cinco empresas da Alba, chamadas de gran-nacionais, e dez projetos de caráter social". Leia aqui a matéria do Brasil de Fato.
ISTOÉ manipula fotografia
09.04.2008 | 02h18 |
A revista ISTOÉ manipulou uma fotografia para proteger o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). A fraude jornalística se deu após manifestação do MST contra a privatização da Cesp. "A adulteração de uma foto – passível de processo pelo detentor de seus direitos autorais, no caso a Folha de São Paulo – é plenamente possível hoje em dia com o uso de um programa para tratamento de imagens, como o Photoshop por exemplo, mas é prática condenada no meio jornalístico. O fato escancara o poder de influência camuflada que os meios de comunicação de massa tem para atuar como o que vem sendo chamado de 'Partido da Mídia'”, escreveu a reportagem do jornal Brasil de Fato. Leia a matéria aqui.
Critérios jornalísticos há; de sobra
08.04.2008 | 18h23 |
Os advogados do MST entregaram na 41ª Vara Cível do Rio, hoje à tarde, a defesa de João Pedro Stédile, que foi proibido de falar pela juíza Patrícia Rodriguez Whately a pedido da Vale do Rio Doce [ver nota “Stédile é proibido de falar” abaixo]. Intelectuais, artistas, lideranças comunitárias e campesinas foram até o Fórum e solicitaram que a juíza revogasse o despacho. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) acompanhou pessoalmente os advogados do MST, ao lado de Emir Sader, Roberto Leher, Sandra Quintela, João Tancredo e representantes do IDDH, CUT, Rede de Jornalistas Populares e Justiça Global. Eles aproveitaram para entregar a moção abaixo, assinada pelo cartunista Carlos Latuff, pelo deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), pelo secretário geral do PCB, Ivan Pinheiro, além do presidente do PSB, Roberto Amaral, da cantora e compositora Beth Carvalho, entre outros. Isto é um fato político, indubitavelmente. Qualquer escola de comunicação ensina que aí existem critérios jornalísticos o suficiente para justificar uma cobertura. Vamos ver o que os jornalões de amanhã nos dirão.
EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUÍZA DE DIREITO DA 41ª VARA CÍVEL DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Processo nº. 2008.001.062192-6
MOÇÃO PELO DIREITO UNIVERSAL DE MANIFESTAÇÃO E CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA ESTATAL VALE DO RIO DOCE
A companhia estatal Vale do Rio Doce foi leiloada, em 1997, num processo vergonhoso, por R$ 3,3 bilhões. Valor semelhante ao lucro líquido da empresa, obtido no segundo trimestre de 2005 (R$ 3,5 bi), numa clara demonstração do ataque ao patrimônio do povo brasileiro.
Desde então, cidadãos e cidadãs brasileiros vêm promovendo manifestações políticas e ações judiciais que têm por objetivo chamar a atenção da sociedade brasileira e sensibilizar as autoridades competentes para anular o fraudulento processo licitatório.
Essas manifestações jurídicas e políticas ligam-se à luta dos povos por seus Direitos, parte indissociável da história da humanidade. Todos os Direitos do Homem foram conquistados pela mobilização dos povos em prol de uma causa.
O grupo empresarial beneficiário da privatização, busca por todos os meios evitar que o povo brasileiro debata esse processo, utilizando dos mais variados instrumentos para confundir a opinião pública, as autoridades e perseguir aqueles que defendem o interesse público.
Milhares são os brasileiros, em todo o território nacional, que, como os manifestantes indicados na ação judicial, estão a lutar contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, buscando que ela volte a ser do povo brasileiro. A empresa tem conhecimento de que em breve será julgado no Superior Tribunal de Justiça recurso que pode permitir
a anulação da fraude praticada, e busca criar fatos políticos como se fosse vítima de ações ilegítimas, quando na verdade é ela a autora de um dos maiores crimes praticados contra o povo brasileiro.
Foi com esse fim que a empresa buscou o Poder Judiciário (processo nº 2008.001.062192-6), utilizando-o como instrumento para a defesa de objetivos escusos. É nesse contexto que a decisão de V. Exa. se insere. Nós, abaixo-assinados, somos igualmente participantes da Campanha Nacional pela Anulação do Leilão da Vale. Para fazê-lo, não obedecemos ordens de ninguém, senão de nossas próprias consciências.
Pelo que a acusação que os atuais detentores da Vale do Rio Doce fazem a outras pessoas de serem responsáveis por nossas ações, não apenas é mentirosa e injusta para com aqueles militantes, como ofensiva a nossa dignidade, capacidade e direito de auto-determinação.
Acreditamos num Poder Judiciário garantidor do Estado Democrático de Direito, no qual se insere o direito universal de manifestação. Diante do acima exposto, pedimos a V. Exa. que reaprecie a liminar deferida e dê, à petição apresentada pela empresa, a correta leitura histórica, ficando ao lado do Povo Brasileiro, revogando a decisão.
Atenciosamente,
Beth Carvalho, cantora e compositora.
Chico Diaz, ator.
Fernando Moraes, jornalista e escritor.
Adolfo Perez Esquivel, Premio Nobel de la Paz y presidente Servicio Paz y
Justicia Argentina
Nora Cortiñas, Madre de Plaza de Mayo Línea Fundadora
Beverly Keene, Cátedra de Cultura por la Paz y los Derechos Humanos, Facultad e Cs. Sociales, Universidad de Buenos Aires y Coordinadora, Jubileo Sur
Arcadi Oliveres, Prof. Doutor en Ciencia Política, Universidad autonoma
de Barcelona.
Roberto Amaral, jornalista, Secretário Geral do PSB
Sandra Quintela, PACS, Rede Jubileu Sul
Movimento dos Trabalhadores Desempregados do RJ
Latuff, cartunista
Chico Alencar – Deputado Federal pelo PSOL
Prof. Raymundo de Oliveira, UFRJ e PCB.
Prof.ª Cristina Miranda, Cap-UFRJ, Presidente ADUFRJ
Prof. Gaudêncio Frigotto. UERJ/RJ
Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves - Professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFF
Prof.ª Maria Lídia Souza da Silveira, UFRJ.
Prof. Roberto Leher, UFRJ, PCB
Ivan Pinheiro, Secretário Geral do PCB.
DCE Mário Prata – UFRJ
CORECON
ANDES-SN/SR-RJ
ADUFRJ-Ssind
Carlos Bittencourt (Executiva Estadual do PSOL-RJ)
Flavio Serafini (Presidente do PSOL Niterói)
Renatinho (Vereador do PSOL Niterói)
Everton Rodrigues
Movimento Software Livre
João Tancredo - Pres. do Instituto de Defensores de Direitos Humanos, Conselheiro Seccional da OAB/RJ
Ednéia Matos Tancredo - Diretora Instituto de Defensores de Direitos
Humanos, Pres. da Comissão de Direitos Humanos do IAB
Taiguara L. S. e Souza - Mestrando em Direito Constitucional, membro do Instituto de Defensores de Direitos Humanos
Lidiane Roque Penha - membro do Instituto de Defensores de Direitos Humanos
Movimento Revolucionário Nacionalista - Círculos Bolivarianos / MO.RE.NA – CB
Prof.ª Maria Inês Souza Bravo, FSS, UERJ, coordenadora do Projeto Políticas
Públicas de Saúde
Justiça Global
Clara Silveira Belato
GT Ambiente AGB-Rio e AGB
João Batista Silva, geógrafo
Associação dos Geógrafos Brasileiros – RJ.
Roberta Lobo, Professora da UFRRJ.
Mario Augusto Jakobskind, Jornalista.
O debate sério não será televisionado
08.04.2008 | 12h40 |
É incrível, mas as corporações de mídia não deram uma linha sequer. Na tarde de ontem, segunda-feira (7/4), partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais organizaram um ato público em frente ao prédio do Ministério da Saúde, no centro do Rio de Janeiro, para chamar a atenção da população para a responsabilidade dos governos. "A epidemia de dengue é resultado da privatização continuada dos serviços públicos de saúde", diziam as faixas. Cerca de 500 pessoas saíram em caminhada até a Assembléia Legislativa, onde tomaram as escadarias (foto). O deputado federal Chico Alencar (PSOL), os estaduais Marcelo Freixo (PSOL) e Paulo Ramos (PDT) e o vereador Eliomar Coelho (PSOL) apoiaram a manifestação, além da presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, e representantes do PSTU e do PCB. Após a agitaçao, todos entraram na ALERJ e participaram de solenidade dedicada a procurar soluções para o caos na saúde. Mas os que propõem um debate sério, político, não merecem a cobertura da mídia grande.
No impresso, os partidos não são destacados
08.04.2008 | 12h18 |
No jornal impresso desta terça-feira (8/4), o Globo cita os partidos dos parlamentares no texto da matéria, mas não no título como costuma fazer quando é um político do PT ou outro partido identificado com a esquerda. Além disso, a matéria não tem chamada na capa e está na penúltima página do primeiro caderno - uma das mais escondidas. O jornal O DIA de hoje também deu a notícia, mas com chamada na capa e também identificando os partidos. NO RTJV de ontem, nem menção do caso. O Jornal Nacional também não deu nada. Uma conclusão possível seria que a Globo ainda mantém algum tipo de relação com esses dois grupos políticos.
No 'Globo', certos parlamentares não têm partido
08.04.2008 | 00h30 |
O Tribunal de Justiça do Rio aceitou nesta segunda-feira (7/4) por 14 votos a 7 denúncia de formação de quadrilha contra o deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM, partido do prefeito César Maia) e contra o vereador Jerominho (PMDB, partido do governador Sérgio Cabral), além de outras 9 pessoas. Eles também responderão por intenção de cometer crime hediondo e de coagir pessoas a execução de crimes. A denúncia foi oferecida pelo procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Martins Vieira, que encontrou fortes indícios de que os acusados lideram uma milícia armada, a "Liga da Justiça", que atuaria na Zona Oeste e exigiria dinheiro de moradores, comerciantes e motoristas de kombis e vans. Na reportagem do Globo sobre o assunto, os nomes dos dois parlamentares aparecem sem os partidos entre parêntesis, como o jornal costuma fazer ao citar nomes de políticos. Leia aqui a matéria do 'Globo Online'.
Blogs críticos à mídia grande
06.04.2008 | 15h52 |
Interessante a notinha publicada pelo blog do Mello. Ele mostra que dos 10 primeiros colocados no iBEST, 9 criticam regularmente as corporações de mídia. Clique aqui.
A mídia só pega os bagrinhos
06.04.2008 | 00h10 |
A imprensa carioca parece ter despertado de um sono profundo. Após anos sem investigar com afinco a Assembléia Legislativa do RJ (com quem de tempos em tempos mantém relações um tanto quanto profícuas), de repente descobriu que havia funcionários fantasmas lotados em 12 gabinetes. Nas barbas das eleições municipais, a ALERJ tomou conta do noticiário local por 40 dias seguidos. No dia em que foram cassados os mandatos de Jane Cozzolino (PTC) e Renata do Posto (PTB), todo mundo estava lá: jornais, rádios e emissoras de televisão. Um furgão da Globo garantia o sinal para a transmissão do RJTV ao vivo.
É difícil resistir a tanta sedução. Até mesmo parlamentares de esquerda emocionam-se diante da possibilidade de aparecer na mídia, sem perceber que muitas vezes fazem o jogo da direita ao atacarem o poder público. O resultado será sentido nas próximas eleições sempre que alguém disser que todo político é ladrão. Eis a lógica das corporações da mídia privada: vilipendiar a imagem de todo o Estado, quando na verdade essa responsabilidade deveria recair apenas sobre os maus administradores públicos. Tal como conseguiram associar socialismo à ditadura, agora os donos do capital associam o poder público à ineficiência, à roubalheira indiscriminada, à falta de ética generalizada.
Voltando à ALERJ. O que as corporações de mídia privada não informam a seus leitores, ouvintes e telespectadores – e você que acompanha o fazendomedia.com vai ficar sabendo – são as ligações dos deputados envolvidos em atividades ilícitas com o governador Sérgio Cabral, do PMDB, que nas eleições de outubro vai apoiar Alessandro Molon (PT) para a Prefeitura do Rio. O fato é que essas ligações vêm sendo sistematicamente omitidas pelas corporações de mídia, sobretudo pelos veículos pertencentes às Organizações Globo.
Duas dessas ligações já foram comentadas aqui. Dia 3 de março, sob o título “A prefeita sem partido”, mostrei que o programa Fantástico, da TV Globo, omitiu deliberadamente o partido da prefeita Núbia Cozzolino. Adivinha qual? Ele mesmo, o PMDB de Cabral. Núbia é acusada pelo Ministério Público de crime eleitoral à frente da Prefeitura de Magé (RJ), base eleitoral das duas deputadas cassadas na ALERJ. As reportagens do "Globo" também são pródigas em não identificar o partido de algum parlamentar da base governista. Foi assim no final do ano passado, em que o deputado estadual Natalino e o vereador Jerominho apareceram sem partido (na época citei o caso aqui no blog, basta consultar o arquivo): PMDB e DEM, respectivamente o partido do governador do RJ Sérgio Cabral e do prefeito do Rio César Maia.
Outro dado relevante é o seguinte. O jornal Extra, que pertence às Organizações Globo, e a página eletrônica da ALERJ, divulgaram que o empresário Rômulo Costa, dono da Furacão 2000, entidade que controla o Funk no Rio, estava lotado no gabinete de Jane Cozzolino, a deputada do PTC que foi cassada no dia 1o de abril. O que essa mesma mídia não informou é que durante a última campanha eleitoral, o atual governador Sérgio Cabral, então candidato, fez pelo menos dois comícios nos palcos da Furacão 2000 para pedir voto às pessoas que vivem na periferia – a mesma que hoje ele trata à base de Caveirão e de abandono (sobretudo nas áreas de Saúde e Educação). Mas Cabral esteve lá na Furacão, a produtora de funk de Rômulo Costa, o chefe de gabinete da deputada cassada porque seus pares entenderam que ela estava roubando dinheiro público.
Só pra deixar claro: a responsabilidade dessa cobertura direcionada contra os bagrinhos e cega em relação aos tubarões é inteiramente da direção das empresas e de seus donos. Nunca dos repórteres. Esses têm apenas sua força de trabalho para vender e, na maioria das vezes, são pessoas bem intencionadas, buscam fazer o melhor jornalismo possível. Já a mídia grande está a serviço da exploração do povo brasileiro e do genocídio dos outros povos, seja porque assim lucram mais, seja porque têm nojo da pobreza. Ou alguém já viu uma reportagem mostrando que o salário mínimo é um absurdo? E outra revelando a real dimensão da carnificina promovida pelos EUA no Iraque?
MP aceita representação do MSM
05.04.2008 | 03h38 |
O presidente do Movimento dos Sem-Mídia (MSM), Eduardo Guimarães, informou em entrevista ao jornalista Luiz Carlos Azenha que foi aceita pelo Ministério Público a representação contra o alarmismo das corporações de mídia no caso da febre amarela. Ouça aqui a entrevista. Em janeiro deste ano, o oligopólio que controla a mídia no Brasil incentivou irresponsavelmente que todos tomassem a vacina contra a febre amarela, mesmo quem não tivesse indicação médica. Resultado: pessoas passaram mal e houve pelo menos uma morte causada por superdosagem. O MSM quer que as corporações de mídia paguem indenizações ao Estado e às vítimas da vacinação desnecessária. Leia aqui matéria de Gustavo Barreto a respeito do mesmo tema. E aqui um pequeno comentário meu a respeito, com o título "Jornalismo doentio".
Fórum Contra Terrorismo Midiático
05.04.2008 | 02h19 |
A Telesul transmitiu nesta sexta-feira, com reprise às 2h deste sábado, extensa reportagem sobre a manipulação midiática na América Latina. Em Caracas, governos e jornalistas fundaram a Plataforma Internacional Contra o Terrorismo Midiático, órgão destinado a combater a desestabilização da região que, segundo a reportagem, vive uma onda de solidariedade entre os povos. O brasileiro Beto Almeida, diretor da Telesul no Brasil, representou o país. Uma das resoluções do Fórum é incentivar que os presidentes dos países da América Latina incluam o tema do terrorismo midiático em seus encontros internacionais. Para o presidente venezuelano Hugo Chávez, os meios de comunicação estão, de maneira geral, "nas mãos dos ricos do mundo, e em geral praticam fascismo, terrorismo todos os dias". A reportagem mostrou em seguida iniciativas de comunicação popular na Venezuela, que são incentivadas pelo poder público.
As corporações brasileiras de mídia omitiram esta informação.
O monopólio das teles
05.04.2008 | 02h11 |
"O fato é que nas telecomunicações brasileiras não há concorrência, à exceção da telefonia móvel. Mesmo aí ela é relativa, pois os proprietários das empresas fixas e móveis são praticamente os mesmos. A telefonia fixa ainda é, basicamente, um monopólio das concessionárias, que detêm 92% das linhas. A mesma coisa ocorre com a banda larga: 75% são via linha telefônica (ADSL), dominadas pelas concessionárias da telefonia local e 21% via TV a Cabo, onde o domínio é da NET/Embratel, esta também uma concessionária de telefonia (Longa Distância)". Clique aqui para ler a íntegra do artigo.
Aprendendo com Adam Smith
05.04.2008 | 01h59 |
Conhecido como o "pai do liberalismo", Adam Smith deixou registrado no clássico "A Riqueza das Nações" os princípios básicos de uma economia liberal. Aquela coisa toda: Estado mínimo, pouca ou nenhuma interferência do governo no mercado e defesa intransigente do modo de produção capitalista. Portanto, gostaria de dividir com vocês dois trechos do insuspeito livro de Smith:
"O monopólio do comércio da colônia, como todos os outros expedientes mesquinhos e malignos do sistema mercantilista, deprime a indústria de todos os outros países, mas principalmente a das colônias, sem que aumente em nada - pelo contrário, diminui - a indústria do país em cujo benefício é adotado" (Vol. II, página 111);
"O governo civil, na medida em que é instituído para a segurança da propriedade, é na realidade instituído para a defesa do rico contra o pobre, ou dos que têm propriedades contra os que não têm nada" (Vol. II, página 207).
1.964 visitas únicas
05.04.2008 | 01h45 |
Quanta coincidência! No dia primeiro de abril, quando o golpe de 1964 completou 44 anos, este fazendomedia.com teve exatas 1.964 visitas únicas - e cerca de 5 mil páginas visitas. É sempre bom saber que estamos falando para aproximadamente duas mil pessoas diferentes todos os dias. Muito obrigado pela companhia!
Globo tenta reescrever história
05.04.2008 | 01h19 |
Cláudia Abreu é uma das jornalistas mais corajosas que já conheci, dessas que dignificam a profissão. Foi uma das primeiras a encabeçar a luta pela democratização da mídia, nos idos dos anos 1980, e uma das responsáveis pela gravação de imagens que depois viriam a ser utilizadas no clássico "Muito Além do Cidadão Kane". Tenho orgulho de ter estado a seu lado durante transmissão clandestina de rádio que fizemos, no Rio de Janeiro, em homenagem ao aniversário da Globo. Na ocasião entrevistamos, ao vivo, o escritor Roméro da Costa Machado, autor do livro "Afundação Roberto Marinho", que conta alguns dos crimes cometidos por esta empresa. Atual editora do Surgente, jornal do Sindicato dos Petroleiros do RJ, Cláudia Abreu me encaminhou o texto abaixo, que foi publicado na última edição do referido veículo:
40 anos depois, estudantes lembram Edson Luis
Apoiador do Regime militar instaurado em 1964, jornal O Globo tenta reescrever sua história
O jornal O Globo da última sexta [28/3] dedicou página inteira aos 40 anos do ato que sensibilizou a sociedade brasileira na época. “Mataram um estudante. Podia ser seu filho” foi o título da matéria (pág 14), copiando o jornal Correio da Manhã do dia seguinte ao assassinato, mas sem citar a fonte. Em 29 de março de 1968 o título de O Globo foi “Estudante Morto à Bala em Conflito com a PM”. E dizia em seu editorial, na primeira página: “governa a Guanabara um político ponderado, adversário tradicional da violência. Essa circunstância dá aos cariocas uma certeza: a de que a tragédia será plenamente investigada, com isenção e honestidade. E que os responsáveis por ela serão entregues à Justiça. A opinião pública deve permanecer de atalaia contra as explorações demagógicas. E confiar.” Na época, o jornal publicou em reportagem que o Secretário de Saúde Hildebrando Marinho (...) “Chegou à janela e viu que os primeiros a atacar foram os estudantes. Os PMs afastaram-se para, em seguida, fazer nova investida, pensando que tudo estava mais calmo. Foram novamente repelidos e tiveram o veículo danificado, quando foram feitos os disparos.” O jornal deste dia cita como autor do disparo o “Tenente Alcino”. Em 28 de março de 2008 o autor do disparo ganha o nome de Aloisio Raposo, nome que não consta em nenhuma das 3 páginas dedicadas ao assunto pelo jornal, há 40 anos.
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Há outras boas informações publicadas sob a orientação editorial de Cláudia, que conta com uma grande equipe de jornalistas, entre os quais Cátia Lima, e estudantes: www.apn.org.br e www.sindipetro.org.br.
Debate sobre funk
05.04.2008 | 00h41 |
Acabo de receber uma mensagem eletrônica da Adriana Facina, nossa colunista e professora de História da UFF. Por entender que o funk é uma das principais manifestações culturais das periferias, recomendo a atividade proposta por Adriana. Claro que existe muitas composições de baixa qualidade, mas isso acontece em qualquer gênero musical. Há também muito funk interessante, tanto por sua qualidade musical quanto pelo conteúdo de protesto e denúncia social. Além disso, o debate permitirá que compreendamos um pouco os motivos que levam à perseguição política ao movimento e a tentativa constante de associá-lo ao tráfico varejista de drogas. O convite é aberto a todos:
VAMOS DEBATER O FUNK?
Protesto ou alienação? Voz da periferia ou apologia ao crime? Incentivo à promiscuidade ou movimento cultural? O funk, inegavelmente, é hoje uma das principais manifestações da cultura de massas no nosso país e tem grande força entre o público jovem. Por isso, as polêmicas e estigmas envolvendo esse estilo musical devem ser debatidas por todos aqueles que se dedicam a um projeto de transformação radical de nossa sociedade.
Convidamos a todas e todos então ao debate:
Local: Ocupação Manoel Congo (Cinelândia, centro do Rio de Janeiro - antigo prédio do INSS)
Data: 06/04/2008 (domingo)
Horário: 14h
Debatedor: MC Leonardo (autor, junto com MC Júnior, do Rap das Armas)
Mídia grande perde força
04.04.2008 | 00h50 |
Texto retirado do blog de Emir Sader:
As dinastias midiáticas
Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões – das suas empresas – aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!
Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!
Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança – como se fosse um bem privado – seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!
Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: “onde foi que nós erramos? onde erramos?”. Estava desesperado porque a operação “mensalão” não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.
Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.
Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo – esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.
A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil – juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs – tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!
As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?
"O povo não é bobo"
02.04.2008 | 01h54 |
A imagem acima foi captada durante a passeata de 28 de março, no centro do Rio de Janeiro. Saindo da Candelária, cerca de dois mil integrantes - invisíveis para a mídia grande - de diversos movimentos sociais e estudantis, partidos políticos e sindicatos cruzaram a Av. Rio Branco e lembraram os 40 anos do assassinato de Edson Luís, no restaurante Calabouço. Um registro necessário: a fotografia acima só está aqui devido ao olhar arguto do artista gráfico Carlos Latuff. Em nenhum momento da passeata os estudantes que falaram ao microfone ressaltaram o peso que as corporações de mídia jogam contra o passe-livre, contra salários dignos para os trabalhadores, a favor da criminalização da pobreza. Contra o direito à vida. Se a gente quiser entender o que se passa no Brasil de hoje, não tem jeito: é preciso analisar o papel da mídia. Fora disso não tem discussão séria.
Sobre a passeata há duas boas matérias publicadas aqui no fazendomedia.com. Uma na seção de Movimentos Sociais, outra no Dia-a-Dia.
Golpe completa 44 anos
01.04.2008 | 17h42 |
Há exatos 44 anos o jornal O Globo estampava em manchete: "Fugiu Goulart e democracia está sendo restabelecida". Sete palavras que resumem o apoio das corporações de mídia à ditadura orientada pela CIA que seqüestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros. Segundo a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, o objetivo do golpe foi pavimentar o caminho para a entrada de empresas multinacionais no Brasil. O resultado, quatro décadas depois, é que esses grupos praticamente controlam a economia do país. E seguem apoiados pelas corporações de mídia, elas mesmas parte constituinte do sistema de poder que mantém o Brasil entre os países mais desiguais do mundo (cerca de 72 milhões de pessoas vivem em estado de insegurança alimentar, segundo o IBGE/2006).
Brasil de Fato completa 5 anos
01.04.2008 | 17h31 |
Acabo de receber o convite abaixo para o aniversário do jornal Brasil de Fato, importante iniciativa no campo da democratização da informação:
Por favor, divulguem e principalmente, compareçam! Coloquem em seus sites, em seus blogs, em seus jornais, em suas rádios, em suas emissoras, em seus pombo-correios, em seus e-mails e em suas agendas. O jornal Brasil de Fato completa, em 2008, cinco anos de existência. Para celebrarmos juntos esse marco em nossa trajetória, você está convidado a participar, no dia 17 de abril (quinta-feira), a partir das 19h, de um ato político-cultural no TUCA, em São Paulo.