No último sábado, ocorreu o tão badalado e caro sorteio para as Eliminatórias para a Copa de 2014. A festa custou a bagatela de R$ 30 milhões, custeado pela prefeitura do Rio e pelo governo estadual. Para o mesmo evento, a África do Sul gastou o equivalente a R$ 2 milhões de reais. Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), o legado e a visibilidade para a cidade justificam os gastos. É justificável, porque o dinheiro não saiu do bolso dele, mas do de todos os brasileiros, ricos ou pobres; negros ou brancos.
A festinha deixou entusiasmados os usurpadores da Sra. Fifa. A toda poderosa. Não se sabe por que, os dirigentes da entidade máxima do futebol estavam com dúvidas quanto à realização do Mundial em nosso país, já que, em poucos lugares do mundo, eles mandam e desmandam tanto quanto tem ocorrido aqui. Hajam vistas as reformas que têm sido feitas no Maracanã para que o estádio se enquadre aos padrões da entidade. É provável também que os dirigentes da Fifa jamais tenham lucrado tanto. Então, não têm do que reclamar.
A presidente Dilma Rousseff, em seu discurso, tratou de colocar Ricardo Teixeira, presidente do COL (Comitê Organizador Local), em seu devido, apenas como presidente da CBF, o que para os brasileiros, sobretudo os amantes do futebol, já é uma lástima total.
De uma forma sutil, Dilma ofuscou políticos e dirigentes e passou a bola para Pelé, que fora nomeado embaixador do Mundial no Brasil, pelo governo federal. O Rei, que muito contribuiu para que o país conseguisse o status de “país do futebol”, sequer havia sido convidado para o evento na Marina da Glória.
Sobre o discurso da presidente, o comentarista da ESPN-Brasil Mauro Cezar Pereira comentou: “A participação, a importância, o peso da presença do ‘Dono’ da Copa até aqui foi claramente reduzida. A aparição presidencial foi o fato mais importante do lado não esportivo deste evento bancado com a grana dos impostos que pagamos. Pelé, que talvez nem desse as caras, foi colocado como embaixador da Copa para ofuscar a importância dos políticos e dirigentes. E deu certo”.
Mauro, que se destaca por seu jornalismo independente e sério, deu show na cobertura do sorteio. Assim como toda a equipe de sua emissora. Um jornalista que realmente dignifica a profissão.
Enquanto isso, a mídia que não se preocupa com os interesses públicos e do povo ignorou
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totalmente as manifestações que ocorriam do lado de fora do local onde se realizava a festa. Preparemos nossos ouvidos. Sábado já começou. Tudo é lindo, é maravilhoso. “Brasil, país abençoado por
Deus”. Repetia a toda hora um famoso locutor, nacionalmente
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conhecido por suas peripécias enfadonhas.
Ao passo em que a farra acontecia na Marina da Glória, do megaempresário Eike Batista, milhões de brasileiros sofriam nas filas de hospitais, passavam fome e continuam a sofrer. Professores fazem greve por melhores salários. Nos aeroportos, nada mudou e o Santos Dummont ainda teve de ser fechado para não atrapalhar a “farra” de uma elite ordinária, que fala em legado. Legado para quem, cara pálida? Legado ficará nas contas bancárias desses pilantras que usam o esporte, o futebol e o Brasil para
roubarem o dinheiro do contribuinte.
Ausência de Romário
Na minha infância, à época da Copa de 94, comemorei muito a conquista do tetra-campeonato pela Seleção Brasileira. Não dá para dizer, como muita gente o faz, que Romário ganhou o Mundial sozinho. Mas, sem dúvidas, seria impossível quebrar o jejum de títulos mundiais, que já durava 24 anos. O Baixinho foi um dos maiores jogadores de futebol
de todos os tempos. Um jogador, um artilheiro como poucos, um craque fantástico. Entretanto, na festa da mãe Fifa e da CBF não esteve presente, não foi convidado, não teve sequer o nome citado ou, uma imagem no telão.
Como assim? Sim, no Brasil, o país do futebol, os ídolos são tratados desta maneira. Mr. Teixeira apagou como num passe de mágica os feitos de um dos maiores artilheiros da Seleção e se julga no direito de preteri-lo da festa do futebol em nosso país? Agora deputado federal pelo (PSB-RJ), Romário tem incomodado com suas críticas ao atraso nas obras e a gastança de dinheiro público. Se Romário será ou não um bom parlamentar, só o tempo dirá. Mas em qualquer comemoração do futebol ele tem por méritos e, direitos adquiridos em campo, o dever de estar presente.
Organização e apresentação
Não entendo a nossa dependência que temos em relação à Rede Globo. Detentora com exclusividade dos direitos de transmissão da Copa, a emissora organizou e apresentou a cerimônia no Rio. Assim deve seguir até o Mundial. É impossível que não tenhamos empresas e profissionais independentes que façam com competência este tipo de evento. Estamos sempre nas mãos de uma emissora de televisão. Para um país que se julga democrático e em pleno desenvolvimento, isso, a meu ver, é lamentável. Se
o evento é da Fifa, se a Copa é da Fifa, ela que organize, que coloque seus recursos. Mas não. Querem dinheiro público e ainda fazem exigências. Cabe lembrar que a Fifa não paga impostos no país devido a um acordo fechado no governo Lula.