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Os Falsos Profetas

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Inúmeras foram às vezes que a humanidade ansiou por justiça, mesmo que fosse a custa de sangue. Estimulava-se o sentimento de ódio, injustiça e, consequentemente fortalecia-se os supostos salvadores da pátria, que apelavam para uma retórica renovadora e profética.

O desejo por uma sociedade sem corrupção passou a avalizar os atos daqueles que, inicialmente, precisariam se sobrepor aos direitos e à constituição. Atrocidades e injustiças foram cometidas. Era tudo por um bem maior.

Os falsos profetas, adulados, foram ficando cada vez mais poderosos, ganhando autonomia para impor seus desejos, proteger aliados e promover sua atroz linha de atuação. As leis aos poucos sendo descartadas ou vistas apenas como um estorvo para a plenitude desejada. Como justificativa, questionavam, em tom de superioridade: o que seria a lei diante de um salvador da pátria?

Aos poucos, foi se percebendo que a sociedade estava sendo conduzida, exclusivamente, para defender os interesses de alguns poderosos. Era tarde. O falso profeta já estava estabelecido no poder, juntamente com seu séquito de lacaios e aliados. Todas as tiranias estimuladas, com a justificativa de que era por um bem maior, voltou-se contra aqueles que um dia endeusaram suas ações.

Esse sucinto roteiro repetiu-se em quase todas as ditaduras que ocorreram na América Latina.

No Brasil, pós-ditadura, tivemos uma breve impressão que as instituições estavam se solidificando e a personificação política era coisa do passado. Os golpes militares ficaram para trás e cada vez mais se acreditou que era possível, através das instituições, fazer a sociedade caminhar de forma mais justa e igualitária.

Esqueceram-se de que os poderosos apenas estavam de pijama e em repouso. Assistiram toda aquela transformação inicial, sem sofrer qualquer perturbação por ações do passado e, quando começaram a se sentir incomodados, passaram a articular a reação.

Os donos dos grandes meios de comunicação, que também não foram amolados, estavam apenas com as garras de molho. O patriarcado continuava rico e mandando, mesmo que mais distante do poder.

Preocupados com os movimentos, trocaram o pijama por suas fardas, togas e voltaram a agir. Os aliados da mídia, em movimento simultâneo, incendiaram o país com notícias facciosas que diziam que Lula e Dilma iriam arruinar o país.

Criaram um salvador. Sergio Moro, juiz de primeira instância, alimentado no berço do PSDB e orientado pelos americanos, demonstrava a coragem necessária para vestir a farda de salvador da pátria. Municiaram o canhestro juiz com todo aparato necessário. Da retaguarda, prometiam proteção e o estímulo pirotécnico para que se fizesse o trabalho até o fim.

Alimentaram seu ego com fotos, entrevistas, camisetas de super-herói e palestras. Era parte da premiação pelo bom serviço prestado. Tudo que é inaceitável para quem exerce a profissão de juiz.

Rapidamente catalisaram os sentimentos dos colegas de profissão. Não na contramão dos seus estapafúrdios atos. Tudo na mesma direção. Endossaram suas ações, encobrindo os deveres da profissão e deixando cada vez mais exposto o sentimento classista, escravocrata e elitista.

O herói dos medíocres foi crescendo e junto com sua popularidade, aumentaram as ações arbitrárias e tiranas. Esqueceu-se o dever e todo o repertório ético previsto para a profissão. Era o sentimento de “justiça” e sangue que estava falando mais alto.

Como ninguém da grande mídia alardeou, fato previsto pela amigável aproximação dos grupos, tocaram o barco para frente, turbinando suas ações.

Do outro lado, também se descobriu que todo republicanismo posto em prática nos últimos anos, havia sido em vão. A liberdade democrática concedida voltara-se, exclusivamente, para os que agiram pelo progresso. Ninguém freara o grande astro, que não hesitou em expor sua parcialidade e tirania.

Lula teve que recorrer a ONU. No Brasil, não há esperança de que a justiça haja com justiça. Hoje se torna réu e amanhã, possivelmente preso ou inelegível. Era isso que eles queriam. Tudo fruto do medo de que aquele homem, ex-sindicalista, velho e barbudo pudesse voltar e distribuir riquezas para o seu povo e contribuir para um mundo pacífico.

Acusam-no de tudo aquilo que os outros e os de sempre, fazem e fizeram. Nenhum deles é incomodado. Pelo contrário, estão livres e de volta ao poder.

Lula é indiscutível, suas ações republicanas e democráticas falam por si só. Mas é preciso falar do sítio, do pedalinho e da suposta obstrução da justiça. Uma vergonha imensurável e a confirmação de que a justiça brasileira é comandada por ignóbeis tiranos.

A briga tem que ser alardeada para o resto do mundo para, quem sabe, esse bobalhão de Curitiba e o usurpador do Temer, que parecem sonhar com uma nova ditadura, caiam logo do cavalo.

Se não caírem e toda essa insana perseguição continuar, só a força do povo poderá deter essa farsa. E digo mais, o povo já está percebendo quem é quem nesta história: a máscara dos falsos profetas vai cair.

Foto(*): contextolivre.com.br

Paulo Branco é professor de Artes Marciais e cronista.

Um comentário em “Os Falsos Profetas

  1. Justiça brasileira sempre e será conservadora para os desprotegidos e progressistas . Lula,representa os progressistas que tiraram mais de 43 milhões de brasileiros da miséria,colocou mais brasileiros consumindo e se deslocando pelo país. Lula colocou os pobres na ordem da vez. Não é novidade,Getúlio Vargas odiado pelo mesmos que tiraram Jango do Poder e agora quer dar uma lição a Lula e dizer a classe trabalhadora para pôr-se no seu devido lugar.

    A Casa grande está raivosa . Os programas de distribuição de renda do governo Lula/Dilma,deixou a classe média (a mesma que quer ser burguesa) de cabelo em pé ao ver seus espaço sendo ocupados por outros que sequer um dia poderia consumir o mesmo que a classe média consume .

    Igualdade e direitos justos deixam muitas pessoas ofendidas. A obra da escravidão descrita por Joaquim Nabuco ,não foi destruída e tão cedo parece não será desfeita .

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