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Os idiotas da objetividade (2)

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No post anterior, iniciei falando sobre uma suposta discussão política onde surgia o tal idiota da objetividade. Comecei falando de uma coisa e terminei falando de outra. Perdi-me numa confusão de ideias e não falei o que eu queria. Portanto, voltemos para a mesa de bar, onde tudo começou.

O grupo era bom, todos educados e dispostos a manter o clima pacífico. Não está fácil começar e terminar uma conversa mantendo o nível de respeito.

O sujeito da conversa quis pular os detalhes da marcha contra o PT. Vinha naquela ladainha de sempre, dizendo que não era de esquerda nem de direita, nem PT nem PSDB e que por ele podiam até prender o Aécio. O “até prender o Aécio” é a senha que o sujeito usa na busca por credibilidade e fingir neutralidade.

E no meio da conversa chegamos à conclusão: o Brasil precisa de alguém para pacificar o Congresso e retomar o crescimento. Mesmo sabendo que a gente precisa de muito mais, pus-me a concordar. Sem paz nada vai andar.
Foi ai que veio o problema. Na unânime conclusão precisava-se escolher um nome. Quem poderia apaziguar as coisas e retomar o crescimento? Deixei-o falar. O silêncio tomou conta e o nome não vinha. Ele coçava a cabeça e fingia pensar. Evitando a turbulência, em tom de dúvida, joguei no colo do homem a minha solução:

- E o Lula?

Ele reage na hora:

- Que Lula o que rapaz. O Lula deixou o negócio subir a cabeça.

Subitamente pergunto:

- O isopor?

E ele, perdendo a paciência agride:

- Que isopor porra?

- A única coisa que subiu a cabeça do Lula foi o isopor de cerveja que ele carregou nas férias.

A resposta pode ser vista como deboche, mas juro que não era.

Querendo trocar de assunto ele conclui resumindo:

- Não dá, não dá. - e a partir dai, começou a vociferar aqueles argumentos maravilhosos: “Fora PT”, “Comunista”, “ditadura”.

A conversa teve que tomar outros rumos. Era dia de trégua. Mas cá para nós, se tem uma coisa que não subiu na cabeça de Lula foi a vaidade. E se antes tinham dúvidas, os “criminosos” áudios nos serviram para mostrar muita coisa. Uma delas é a sua eterna simplicidade.

E antes que eu me perca novamente, queria analisar algumas coisas contidas naqueles áudios. A começar pelo fingimento das elites, que ao escutar os palavrões do ex-presidente em sua intimidade, se diziam perplexos. Pulando essa parte da perplexidade dos grã-finos, vou citar algumas passagens que demonstram a genialidade de Lula:

A primeira é que ele não tem poder nenhum sobre as instituições. Nem ele nem Dilma. Nesse momento desesperador é visível a solidão de ambos. Não existe nenhum poderoso que se possa contar. Conta-se apenas com a sorte e com a possibilidade de surgir nomes que trabalhem com a coerência, razão e equilíbrio. Uns irão dizer que isso é incompetência e despreparo. Eu já qualifico isso como republicanismo.

A segunda é a agradável surpresa de ouvir o Presidente falando da Ferroviária. Quando o mundo todo admira o futebol do Barcelona e todas as outras potências, Lula se deslumbra com o futebol da Ferroviária e rasga elogios a um técnico português que eu nunca ouvi falar.

A terceira é a simplicidade e o humanismo de todas as suas falas com os seus assessores e parceiros políticos. Não existe pompa, palavra difícil. Essa fala simples tem um valor magnífico. Lula trouxe a política até o povo. Se antes todo mundo achava que política era coisa de grã fino e doutores, hoje todo mundo se aproxima sem medo.

A quarta é a fidelidade que ele tem a sua base. A todo o momento ele demonstra preocupação com os trabalhadores e com os sindicatos. E sem querer comparar, mas já comparando, é nestes momentos que se percebe a grande diferença entre ele e Dilma. Ele se irrita com as tentativas da Presidenta de querer agradar os inimigos, esquecendo-se dos trabalhadores.

A quinta é o “Tchau” solitário de Dilma. Ela se despede antes do tempo, numa atitude que remete a ansiedade e falta de habilidade típica das primeiras ligações em um namoro juvenil. Aquele “tchau” alto e apressado foi demais.

Tenho muitas coisas para falar e enaltecer nesses áudios. Mas vou ficar por aqui. Antes que ataquem a minha paixão personalista, eu irei me defender de forma breve. Da mesma forma que os Getulistas diziam que o sorriso do velhinho os fazia trabalhar, somente com o carisma de Lula as coisas vão se pacificar. Ele mexe com a paixão do povo, porque ele é povo. E, como dizia Nelson Rodrigues, sem paixão não se chupa nem um chicabom.

(*)Foto: contextolivre.com.br

Paulo Branco é professor de Artes Marciais e cronista.

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