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Da violência policial ao Macarthismo: 1964 mais presente do que nunca

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Semana passada, fui presenteado por um aluno com o livro Pouso Forçado. Nele, é contada a dramática história da Panair, maior empresa de aviação do Brasil, até 1965, que foi alvo de mais uma de muitas ações depostas e tiranas da ditadura no Brasil.

Confesso que ainda estou no início do livro, mas desde as primeiras páginas, inevitavelmente, fui tomado por um profundo sentimento de angústia e tristeza. As injustiças de ontem estão mais vivas que nunca.

Fazendo uma análise breve, a Panair teve sua concessão caçada do dia para noite, sem justificativas plausíveis. A decisão atendeu aos interesses da Varig que, também da noite para o dia, obteve a concessão de linhas internacionais. Os argumentos utilizados para a ação não continham nenhuma base legal, comprovando que a grande insatisfação dos militares era com as posições políticas dos líderes da Panair e não com a situação financeira ou a qualidade dos serviços prestados, como alegaram.

E assim, ainda continuamos, tendo verdades omitidas e os interesses das grandes corporações, atreladas aos poderosos, se sobrepondo a tudo e a todos.

Usei essa pequena referência, que pretendo explorar futuramente, de maneira mais ampla e madura, para falar da forma como querem consolidar o golpe, encurralar o PT e tornar Lula inelegível.

A semana passada começou com a notícia de que o marqueteiro de campanha do PT, João Santana, faria uma delação premiada a Sergio Moro. O tema em apuração é o suposto dinheiro de caixa 2, recebido pelo marqueteiro. Naturalmente, tal fato será explorado com excesso de hipocrisia por todos os inimigos do PT e pela parcialidade da mídia, como se a prática fosse exclusiva de um partido.

Para os que acompanham o jogo político, a notícia não nos diz nada de novo: o caixa 2 é uma prática comum em campanhas. Mas, como se refere ao PT, as consequências estão sendo muito mais danosas e exploradas.

A imagem do publicitário foi exposta, além de seus bens terem sido bloqueados e suas empresas correndo risco de fechar. Uma devastação irreparável, fruto de medidas desproporcionais, que visam, através de João Santana, macular a imagem do partido.

Outro fato, da mesma natureza das tiranias sofridas pela Panair, é a incessante perseguição de Moro à Lula. A história já não é mais novidade para ninguém: o ato final de Moro é tornar Lula inelegível.

Na última peça apresentada ao STF, Moro insiste em rivalizar com Lula, afirmando que nos áudios colhidos, havia provas de que o ex-presidente pretendia obstruir investigações, o que poderia justificar a prisão temporária. Completando a peça, Moro diz que “optou, pela medida menos gravosa, da condução coercitiva.”.

Tudo isso demonstra o caráter de perseguição da ação e que a disputa se tornou uma questão de honra para o juiz. A prisão de Lula será o seu grande prêmio.

Depois disso, será esquecido e descartado. Fato comum, que acontece com qualquer membro da justiça, que estima por estrelato e reconhecimento e para isso alinha-se aos interesses de alguns poderosos, sobrepondo-se aos ritos judiciais e à constituição.

Da Panair, subjugada pelo golpe de 64, à Lula e João Santana, perseguidos por Moro, a história do Brasil caminha na mesma sombra de injustiças e ações tiranas.

As medidas têm pesos distintos e vão de acordo com a posição do alvo em questão. Para obterem êxito, arrumam alegações frágeis, endossam e alardeiam fatos comuns, através de aliados da mídia partidária, superando qualquer compromisso com as leis e a democracia. É a tradição de qualquer instituição vacilante ou governo usurpador/ conservador, descompromissado com a democracia: aos amigos, alinhados com as maldades, privilégios; aos que lutam por justiça e democracia, incessante sabotagem, até que se percam as forças.

Somam-se a esses dois fatos, a intervenção da Polícia Federal na ocupação do Minc e a prisão de Eduardo Suplicy, que foi conduzido à força pela PM de São Paulo e preso.

Aos que se sentem incomodados com tamanha maldade e perversão, nos resta endurecer com os que se utilizam de bravatas para fazer prevalecer seus interesses. É bom que todos os movimentos comecem a se manifestar e a se antecipar à consolidação das maldades: o macarthismo e a fascistização do Brasil, mais uma vez, está aí, só na enxerga quem não quer ou quem irá se beneficiar dela.

Foto(*): ebc.com.br

Paulo Branco é professor de Artes Marciais e cronista.

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