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A Grande Conspiração (2)

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No dia 10 de Maio, eu escrevi sobre a possibilidade de uma grande conspiração americana ter sido a peça chave para a consolidação do golpe de Estado no Brasil.

Mesmo que não tivéssemos uma coincidência direta ou provas concretas, não seria um simples devaneio acreditar que um país que enganou meio mundo para fazer intervenções no Iraque e Afeganistão, atrás de petróleo, estivesse interessado no nosso Pré-Sal. Inclusive, chama atenção como parte do mundo não questiona todas as guerras feitas e continua a achar os norte-americanos benfeitores da humanidade.

Antes de prosseguir com o golpe atual, mais uma vez, é preciso destacar que em 1964 os americanos estavam por trás do golpe que nos trouxe 21 anos de ditadura militar.

Há de se destacar, também, que a conspiração não se resumiu exclusivamente a ações no campo burocrático: enquanto Olympio Mourão Filho, general do exército brasileiro, saia de Juiz de Fora a fim de ocupar o estado da Guanabara (Cidade do Rio de Janeiro), as tropas americanas, com seus navios de guerra, postaram-se na costa sul do Brasil para, em caso de necessidade, dar apoio militar aos golpistas.

Voltando ao cenário atual, a primeira grande constatação que nos leva a crer na intervenção dos EUA é o fato da embaixadora Liliana Ayalde ter exercido o mesmo cargo quando o Presidente do Paraguai, Fernando Lugo, foi destituído do poder (2008 a 2011).

A mesma embaixadora chegou ao Brasil cinco meses antes da Operação Lava Jato começar sua seleta caça às bruxas(Outubro de 2013). É preciso destacar que a grande mídia também colaborou para que, tantos as manifestações de 2013 quanto o alarde em torno da Lava Jato fossem exclusivamente direcionados ao Partido dos Trabalhadores.

Ainda como peça chave para o nosso jogo de xadrez, acoplo as denúncias de Edward Snowden feitas, em junho de 2013, onde ele afirma que os americanos espionavam o Brasil como nenhum outro país da América Latina. Fato notório, que ficou conhecido internacionalmente.

Além desses fatos relatados, existem suposições que indicam o financiamento de movimentos que fizeram oposição ao governo, por grupos estadosunidenses.

Agora, a parte principal de toda essa trama é a denúncia, também da Wikleaks, de que o interino Michel Temer foi informante da embaixada americana. As informações ocorreram em 2006, quando Temer ainda era deputado federal e presidente do PMDB. Nas informações vinham críticas a Lula, um comunicado de que o ex-presidente investia muito em programas sociais e a possibilidade do PMDB lançar candidatura própria. Em outro telegrama, Temer afirma que Lula daria uma forte guinada a esquerda em seu governo e descreve esquemas de corrupção em que o PT fazia parte.

O resumo da ópera é simples: depois de conseguir cooptar parte da classe média, exatamente como na Primavera Árabe, a trama concretiza-se tendo como aliados a fraqueza das nossas instituições, a falta de pudor e a conivência dos meios de comunicação, das elites empresariais e grupos políticos, que se aproveitam das possibilidades para acelerar sua chegada ao poder. Concretizando o ato, rifam o país, de acordo com os interesses de parte dos citados anteriormente, em especial os próprios americanos.

Tudo vai se encaixando e nos mostrando que a briga não se limita a disputa política interna.

O único ponto que talvez os golpistas não contavam, é com a rápida divulgação do golpe mundo afora. O que deve provocar um possível boicote de algumas lideranças mundiais, que além de não concordarem com a política intervencionista americana, tem enorme interesse no nosso crescimento e em manter parcerias de forma horizontal. Esse tipo de relação e visão, passa longe do interesse dominador Ianque.

Esse contraponto dificultaria enormemente o avanço econômico do novo governo e possivelmente geraria um desgaste para os EUA, que tentam a todo custo manter os países subdesenvolvidos e os em desenvolvimento sob a sua tutela usurpadora.

Mais rápido do que o esperado, os protagonistas aos poucos vão aparecendo. Resta saber qual será a reação popular por aqui.

Enquanto grande parte do nosso povo estiver exclusivamente preocupado com o preço do dólar e as idas à Disney, vai ficar difícil virar essa trágica página da nossa história, que insiste em nos manter atravancados nas cruéis mãos americanas e de um mercado que precisa de um país atrasado, injusto e consequentemente refém de sua maldade.

Segue o link dos telegramas vazados:

Links dos dois bilhetes vazados:

https://wikileaks.org/plusd/cables/06SAOPAULO689_a.html

https://wikileaks.org/plusd/cables/06SAOPAULO30_a.html

Foto(*): latuffcartoons.wordpress.com

 

 

Paulo Branco é professor de Artes Marciais e cronista.

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