
No último dia 6, no debate que ocorreu entre Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, no Rio de Janeiro, dentre as diversas análises feitas sobre a atual conjuntura política, uma delas chamou bastante atenção: a possibilidade de ocorrer um golpe dentro do golpe.
Segundo PHA, “é possível e quase provável que a Casa Grande descubra que o Temer não vai entregar a mercadoria. Que ele não tem força suficiente para fazer o que a Casa Grande quer. Aí, a Casa Grande é capaz de dizer para o Gilmar Mendes condenar o Temer na Justiça Eleitoral e, em 2017, com sua condenação o Congresso elege de forma indireta um Presidente da República, que pode ser um Fernando Henrique Cardoso.”.
E eis que na última quarta-feira, dia 12, a convite de Temer, ocorreu o grande encontro entre ele, Gilmar Mendes (presidente do TSE), FHC e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Segundo Geddel, o encontro tratou apenas de amenidades.
Natural que o clima do encontro tenha sido amistoso. Mas, ao que tudo indica, o presidente percebendo o risco antecipou-se e tratou de afagar o guru dos tucanos e o seu fiel escudeiro, Gilmar Mendes.
Segundo a grande mídia, FHC elogiou a aprovação da emenda que limita os gastos públicos pela Câmara dos Deputados e confirmou o empenho do PSDB em aprovar a PEC no Senado Federal. FHC também confirmou a reação positiva do mercado em relação a aprovação.
Nenhuma novidade. A diminuição do Estado beneficia exclusivamente o setor privado e isso era tudo que o mercado queria e foi exatamente o que FHC fez enquanto presidente: acelerou o desmonte das estatais para vendê-la a preço de banana e ganhou apoio das grandes corporações.
O mercado e os tucanos podem até estar gostando do trabalho que servirá como uma preparação de terreno para 2018, mas se a missão não for realizada com todo o seu repertório de maldades, Temer pode perder o emprego.
E para não perder, ele tem apostado todas as fichas, acalmando os líderes de um lado e dando banquete do outro.
Vale tudo para satisfazer os interesses do mercado, da elite empresarial e dos parceiros políticos desses grupos, o PSDB. Seja com almoço de cardápio impecável, para 400 convidados discutirem os cortes nos gastos públicos seja com encontros descontraídos e amigáveis.
O aviltamento político é progressivo e descarado. Pensa-se em tudo, menos no povo e na soberania nacional.
Vamos ver até quando vai essa fúnebre resignação.
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