Evo Morales inaugura escola para formação de militares anti-imperialistas

Foto: Nodal – Notícias da América Latina e Caribe

Nasce na Bolívia a Escola Anti-imperialista dos Povos e o presidente boliviano diz que se trata dum compromisso político e ético com o país, a região e o mundo. Já o comandante em chefe das Forças Armadas, Gonzalo Durán, destacou que a escola aprofundará o estudo do imperialismo e suas consequências, avaliará os mecanismos de integração da sociedade e fortalecerá a atitude patriótica do militar.

Matéria traduzida do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 18/06/2016 – Tradução: Jadson Oliveira

O presidente Evo Morales inaugurou na quarta-feira, dia 17, a Escola Anti-imperialista dos Povos do Abya Yala e das Forças Armadas (FFAA) ‘Juan José Torres’, localizada no município de Warnes, no estado de Santa Cruz (ver observação abaixo). Assegurou que a instituição é um compromisso político e ético com o país, a região e o mundo.
Num longo discurso durante o ato público, o primeiro mandatário disse que a escola “contribuirá para se viver num mundo melhor, mais justo, equitativo e sem violência”.

“Esta escola é um compromisso político e ético com o país, com a região e com o mundo, porque não somente é justo, como também moralmente necessário viver em condições de igualdade, de dignidade, irmandade e em complementariedade”, afirmou.

O presidente esclareceu que a instituição não será somente para as Forças Armadas, mas também para os movimentos sociais, porque “as Forças Armadas e os movimentos sociais são uma só parelha para defender a pátria”.
Convocou os movimentos sociais do mundo a somar-se a esse esforço da Pátria Grande, para garantir a soberania do continente.

“É para construir este pensamento que nos faz falta para controlar este domínio imperial e espiritual capitalista. Nossa luta de libertação requer forjar proposição alternativa que rechace toda forma de dominação”, explicou.
Disse que a nova doutrina das Forças Armadas na região debe se materializar num grande bloco estratégico, que contribua para a paz, resolva diferenças de forma pacífica, rechace a guerra por razões morais, políticas, sociais e econômicas, exerça a diplomacia dos povos, evite a instalação de bases militares estrangeiras e trave a luta contra o capitalismo e imperialismo e defenda a Mãe Terra.

“O capitalismo é a matriz econômica da morte”

“Devemos mudar a matriz econômica do planeta, o capitalismo é a matriz da morte porque danifica o ecossistema planetário”, acrescentou, enfatizando que as Forças Armadas devem preservar os recursos naturais.

O também Capitão Geral das Forças Armadas disse que para que esse objetivo seja cumprido se deve “descolonizar” a Pátria Grande e “lutar para que não exista o imperialismo” no planeta.

“Requeremos transformar não apenas o conceito de segurança, mas também a doutrina mesma das Forças Armadas”, insistiu o presidente.

A Escola Anti-imperialista dos Povos do Abya Yala e das Forças Armadas conta com um orçamento de 5,5 milhões de bolivianos para a gestão de 2017 (Nota do tradutor: em dólares dos EUA equivale a cerca de 800 mil dólares, conforme pesquisa na Internet).

Já o comandante em chefe das Forças Armadas, Gonzalo Durán, destacou que a escola foi inaugurada numa data histórica para o país, no “Dia da Bandeira”, lembrando que a entidade castrense é garantia da soberania do país.
Explicou que a Escola Anti-imperialista analisará o processo de transformação da República ao Estado Plurinacional, aprofundará o estudo do imperialismo e suas consequências, avaliará os mecanismos de integração da sociedade e fortalecerá a atitude patriótica do militar.

“É para fortalecer o profissionalismo militar com um sentido nacionalista de serviço incondicional à pátria”, declarou.

Do ato de inauguração participaram os ministros da Defesa da Nicarágua e Venezuela, Martha Ruiz Sevilla e Vladimir Padrino López, respectivamente, além do Alto Comando Militar e representantes dos movimentos sociais da Bolívia.

(Da Associação Boliviana de Informação - ABI)

Observação do tradutor: Abya Yala é uma expressão indígena usada por organizações e comunidades originárias em substituição ao termo América, que foi criado a partir da invasão e colonização dos europeus; Juan José Torres, general do Exército, liderou um levante popular e governou o país, com uma orientação de esquerda, entre outubro/70 e agosto/71.

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