Os brasileiros devem estar “orgulhosíssimos”. Segundo Jair, em discurso, hoje, na ONU, o país “alimenta o mundo”. Uma generosidade comovente, principalmente, quando ela é retribuída em dólar ou em qualquer outra moeda mais valiosa. Em nome de tamanha “grandeza”, despreza-se o retorno do Brasil ao mapa da fome e, também, os que ainda não voltaram a sofrer com a subnutrição, mas que estão penando com os preços abusivos, tendo que substituir arroz por macarrão e carne por ovo.
Aliado dos EUA, Bolsonaro age com a mesma vileza daquele que bajula, seguindo a tática de mentir para ludibriar a opinião pública e endossar a criminalização do alvo. Em uma repetição do fatídico “o Iraque tem armas químicas”, agora, vai fantasiando o detentor da maior bacia de petróleo do mundo - a Venezuela – a culpando pelo derramamento de óleo na costa brasileira, coisa que o próprio governo foi incapaz de desvendar.
Como todo covarde, ataca aqueles que não podem se defender - como fez ao associar os índios às queimadas - ou endossa o discurso em favor dos interesses daquele que é especialista em “puxar o saco”. O discurso bajulador e perigoso toma corpo, quando, inacreditavelmente, desmonta políticas de abastecimento de alimentos e isenta a importação de etanol dos EUA. Tudo “mera bobagem”, quando o que vale mesmo é sair na foto adulando o seu herói, mesmo que para isso seu povo seja desprezado em fome ou empurrado, por procuração, a uma guerra.
Quanto vale Jair na presidência? Depende. Para nós, o cálculo inclui queimadas, desemprego, 130 mil mortos por COVID, fome e tudo mais caro. Para os EUA vale um país continental fornecendo matéria-prima e consumindo sua tecnologia e outras coisas mais. Além de, nas horas vagas, ter um cão de guarda, docílimo com o dono, mas pronto para atacar seus inimigos.
O Brasil não tem um presidente, mas um serviçal em favor dos EUA. O mais complexo é que, não só ele, mas grande parte do povo fora abduzido a crer que isso é bom, mesmo que não haja benefícios concretos. Há única materialização, além de dois milhões de doses de hidroxicloroquina recebidas de lá, é a de uma manada de patetas, acreditando que “o que é bom para os EUA, é bom para o Brasil”. Todos, rigorosamente, incapazes de enxergar que o próprio país está em chamas.
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