
O séquito da fé, parte preponderante da barca de Jair, parece já não ser mais o mesmo. O tempo vem demonstrando que, em terra de oportunistas, o aliado de véspera possivelmente será o inimigo de amanhã. E, pelo visto, Jair sabe bem disso e vem optando por escolhas pragmáticas, que reúnem utilidade, acesso ao pujante centro político e menor risco quando se trata de traição. Tudo, rigorosamente, com zelo por sua cadeira e pela paz da família. No caso, a dele.
Sergio Moro, o ex-ministro evangélico e estrela global foi o “primeiro a ser comido”. Acreditou que a capa de herói era vitalícia e o fazia maior que qualquer um, quando na verdade era apenas um empréstimo para realizar o serviço sujo. O destino é o país o qual fez tanto bem: os EUA.
Marcelo Bretas, ao mesmo tempo em que orou, dançou e rodou ao som de “oh glória” acompanhando Crivella e Jair, também era reconhecido pelo punitivismo lavajatista. Talvez, tivesse fé de que não seria visto como uma figura dúbia, capaz de dançar e orar com aqueles que pudesse investigar. De o olho na cadeira do Supremo, que havia sido prometido por Jair a alguém “terrivelmente Evangélico”, acabou sendo preterido por Kassio Nunes, conhecido por posições garantistas e ligações com o centro político. O indicado, além de ser uma lombada contra a Lava Jato no Supremo, por seu histórico de discrição possivelmente não irá se confundir como um enviado de Deus, característica comum dos aliados da operação na Corte. E por não ser uma estrela, a expectativa é de que corra dobrado por quem deu a oportunidade.
O último caso da descrença de Jair nos que dizem crer é o de Crivella. A dificuldade eleitoral do bispo vem fazendo com que o presidente aposte mais fichas em Luiz Lima, o ex-nadador identificado como representante da “moral e bons costumes”. O caso do atual prefeito não se trata do risco de uma traição, apenas de impotência eleitoral.
Os fatos descritos demonstram que as escolhas e alianças políticas do presidente já não são feitas como antes. Atualmente, passam principalmente pelo crivo dos riscos de traição e pavoneamento soberano, além de sustentação política sem representações alarmantes. Exemplos de que em terra de Jair, atualmente, fiel bom é o que dá e não o que pede ou espera receber.
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